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gonn1000

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

O novo clube dos NYPC

 

Os artistas anteriormente conhecidos como New Young Pony Club estão de volta. A simplificação não se fica pelo acrónimo NYPC que reduz o clube a dois elementos: o terceiro álbum dos britânicos é um tratado sobre como saltar da euforia para a discrição. Também anda a passar mais despercebido do que os anteriores, mas dei-lhe alguma atenção neste artigo do SAPO Música.

 

Duas vidas e o rio

 

Longe da aridez de "Histórias de Caçadeira" (2007) e do algo metafísico "Procurem Abrigo" (2011), o terceiro filme de Jeff Nichols volta a situar a acção no interior norte-americano mas aposta, mais do que nunca, num romantismo praticamente fora de moda (ou clássico, por assim dizer).

 

"Fuga" é o título português, embora "Mud", o original, sirva melhor este drama centrado na amizade entre dois adolescentes e um fugitivo procurado por homicídio - Mud, um Mathew McConaughey a fugir, como noutros papéis recentes, da imagem de galã mantida até há bem pouco tempo. O título original também funciona como introdução para a atmosfera sulista, lamacenta q.b. - Mud esconde-se numa ilhota do Mississippi algures no Arkansas - que é quase uma personagem de um filme assente nas idiossincrasias da América profunda - talvez ainda mais do que "Como Um Trovão", outra estreia recente por cá e com a qual "Fuga" faria uma boa sessão dupla (e que também mostrava, curiosamente, um menino bonito de Hollywood - no caso, Ryan Gosling - na pele de um homem imaturo, irresponsável e alienado).

 

Inspirado no imaginário de Mark Twain e nas próprias experiências de Nichols, que cresceu numa localidade próxima da retratada, "Fuga" é um belo exemplo de cinema humanista, atento às complexidades das personagens e das suas relações. Mais do que em Mud, um pária obcecado por uma mulher na qual não encontra falhas - uma magoada mas determinada Reese Witherspoon, cuja única falha é aparecer tão pouco -, o olhar do realizador centra-se em Ellis, um dos dois miúdos que ajudam o fugitivo a reencontrar-se com a sua amada.

 

Através deste adolescente, interpretado pela revelação Tye Sheridan, o filme torna-se num drama coming of age capaz de compensar alguma falta de originalidade com uma convicção e sensibilidade assinaláveis. O embate emocional de Ellis, tanto pelo divórcio dos pais como pelas desilusões amorosas (a sua e não só), obriga-o a uma entrada repentina na idade adulta, ou pelo menos a cortar muito caminho para isso, e Nichols faz dessas dores do crescimento matéria-prima envolvente. Sheridan retribui com uma maturidade interpretativa ao alcance de poucos - adolescentes ou adultos - e nem uma recta final telegrafada à distância destrói o encanto de "Fuga", cuja sintonia entre melancolia e esperança é das mais bonitas da temporada.

 

 

Eles & elas (em modo arty)

 

Enquanto as Le Tigre mantêm uma pausa por tempo indeterminado (já lá vão sete anos), JD Samson, um terço do trio, vai deixando descendência mais ou menos oficial ao lado dos MEN. Rebaptizado JD Samson & MEN no ano passado, o colectivo nova-iorquino colocou "Labor", o seu segundo álbum, entre as novidades da recta final de 2013 e volta a fazer a ponte entre uma agenda LGBT e pop electrónica quase sempre virada para a pista.

 

As lições das escolas riot grrrl, punk funk ou new wave estão novamente na base de um alinhamento menos homogéneo do que a estreia e que melhora de cada vez que carrega no acelerador. Para quem sentiu falta de uns CSS ou NYPC mais frenéticos este ano, "Labor" pode ser a solução. "Making Art", o abrasivo novo single, e sobretudo "All The Way Thru", o anterior, com um crescendo especialmente viciante, são alguns dos trunfos:

 

 

Eles & elas (em modo vamp)

 

2013 ainda tem alguns discos por revelar mas já começam a chegar aperitivos para edições do próximo ano. Uma das que valerá a pena esperar é "Too True", o terceiro álbum das Dum Dum Girls, com edição agendada para 27 de Janeiro.

 

Se o primeiro single, "Lost Boys and Girls Club", for representativo do alinhamento, vem aí mais uma combinação sedutora entre melodias dos girl groups dos anos 50 e alguma dream pop de há duas décadas. A vocalista, Dee Dee Penny, não desmente a suspeita e tem prometido um disco com mais guitarras e um som grandioso. As guitarras são, para já, ingrediente fundamental deste avanço promissor, mais Curve do que Ronettes. O videoclip, nascido de uma colaboração com a H&M, acompanha a vocalista das californianas em ambientes góticos e não poupa nas doses de cabedal, eyeliner ou óculos de sol: