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gonn1000

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Selecção de esperanças

 

Do grito eufórico ao lamento solene, "High Hopes" apresenta Bruce Springsteen igual a si próprio num álbum de recortes acima da média. Entre versões e regravações, a principal novidade é Tom Morello, a atual "musa" do Boss e uma companhia regular, embora nem sempre muito oportuna. Escrevi sobre o disco, um dos primeiros (bons) lançamentos do ano, neste artigo do SAPO Música.

 

Uma versão de uma cópia (de uma cópia...)

 

Que as canções de Trent Reznor soavam bem ao piano já se sabia há muito, mas não deixa de ser inesperado ouvir uma versão dos Nine Inch Nails pelos teclados (e voz) de Diane Birch.

 

A cantautora norte-americana, habitualmente dedicada a uma folk e soul mais próximas do adult contemporany do que de grandes ousadias estéticas, fez uma releitura de "Copy of A", uma das faixas do recente "Hesitation Marks".

 

Sem as sombras e electrónicas quase industriais do original, esta versão minimalista ainda mantém o tom negro e, embora talvez ganhasse outra força se fosse menos polida, não deixa de ser uma boa surpresa - curiosamente, até lembra mais os How to Destroy Angels, projecto paralelo de Reznor, do que os Nine Inch Nails:

 

 

Para quem gostar, a canção está disponível para download na página de Facebook da norte-americana. E "Speak a Little Louder", o seu segundo álbum de originais, editado no ano passado, pode ser ouvido na íntegra no Soundcloud.

 

(via teco apple)

 

Fundo de catálogo (99): The Notwist

 

"Have you ever been all messed up?", perguntava Markus Acher, com toda a calma do mundo, num dos temas do quinto álbum dos Notwist. A canção, "One With the Freaks", não só ficou entre as mais memoráveis de "Neon Golden" (2002) como é das que melhor sintetizam, tanto no título como no refrão, os ambientes do disco de referência destes alemães.

A banda dos arredores de Munique, nascida em finais dos anos 80 e com obra editada desde inícios da década seguinte, precisou de viver algumas mudanças de formação e sobretudo de sonoridade - o caminho passou pelo metal, grunge, punk, indie rock ou jazz - até chegar a uma linguagem finalmente consolidada na viragem do milénio.
"12" (1995) e "Shrink" (1998) foram dando espaço a outras dinâmicas rítmicas mas seria "Neon Golden" a destacar-se como álbum-chave de uma tendência indietronica com parentes próximos em discos dos Postal Service, Four Tet ou Lali Puna (estes últimos com o vocalista dos Notwist entre os elementos).

 


A aliança entre melancolia e batidas glitch traduziu ecos dos Radiohead pós-"Kid A", embora a voz de Markus Acher nunca se atire aos abismos emocionais de Thom Yorke. Opta antes por uma melancolia serena, companhia ideal para um novelo electroacústico rico e intrincado - há cordas, sopros, percussão -, mas felizmente pouco ostensivo. A ponte com outras referências da pop electrónica fez-se numa "Pilot" que podia ser um update dos New Order ou numa "Trashing Days" cujo banjo, no arranque, deve qualquer coisa aos Depeche Mode americanizados de "Violator" e "Songs of Faith and Devotion".

O sentido melódico e candura de "Consequence" ou "This Room" garantiram que "Neon Golden" fosse bem mais do que um eficaz exercício de assimilação e não surpreende, por isso, que o percurso dos Notwist desde então deva muito a este episódio. "The Devil, You + Me" (2008) regressou à indietronica num conjunto de canções mais meditativo e homogéneo e a banda sonora de "Sturm" (2009) foi descendente directa dos últimos temas deste alinhamento, instrumentais atmosféricos e cinemáticos.

O próximo capítulo chega este ano, já em Fevereiro. "Close to the Glass" é editado dia 24 e vem comprovar que as mutações abruptas dos Notwist são coisa do século passado. Ainda não há videoclip novo, mas nunca é demais voltar à animação para todas as idades da acolhedora "Pick Up the Phone", talvez a canção mais bonita dos alemães e certamente um dos seus hinos:

 

Esta alegria é potente

 

Não tem aparecido muito nas listagens de discos mais aguardados de 2014, mas é provável que venha a ser dos mais surpreendentes. "Joyland", o segundo álbum de Trust, chega a 4 de Março e sucede às óptimas pistas deixadas por "TRST", há dois anos. Na altura, o projecto era uma dupla, mas a saída de Maya Postepski (baterista dos Austra) deixou-o inteiramente a cargo de Robert Alfons.

 

O canadiano não parece intimidado por acumular as funções de cantor, compositor e produtor e "Rescue, Mister", o tema de avanço do álbum, é mais um portento de electrónica deliciosamente esquizóide, onde a bizarria não compromete o convite à dança.

 

A expectativa para "Joyland" volta a justificar-se por "My Potency", versão revista, melhorada e acelerada de "Peer Pressure", canção de um (longuíssimo) EP de 2006 de Alfons (nunca editado, embora disponível para audição na íntegra aqui). O novo registo gravado do tema ainda não é conhecido, mas ao vivo não fica a dever nada aos momentos mais frenéticos da estreia. Se as promotoras nacionais voltarem a insistir nos Crystal Castles este ano, têm aqui um candidato perfeito para a primeira parte (e nem sequer faltam os efeitos strobe para infelicidade dos fotógrafos):