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gonn1000

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Courtney Love já pode pedir a reforma

 

"I’m gonna burn this town to the ground", grita Brody Dalle em "Rat Race". Quem a ouve, neste novo single ou noutros momentos de "Diploid Love", pensa que está sozinha contra o mundo. Mas a verdade é que a ex-vocalista dos Distillers e dos Spinnerette está muito bem acompanhada na sua estreia a solo. Neste tema conta com a guitarra de Nick Valensi, dos Strokes, a dar luta ao mais inesperado trompete, e num dos singles anteriores, "Meet The Foetus / Oh The Joy", convidou Shirley Manson (Garbage) e Emily Kokal (Warpaint).

 

Casada com Josh Homme, a australiana não ignora a escola dos Queens of the Stone Age nas canções mais agressivas de um dos bons álbuns de rock do ano. Tão ou mais evidente, a influência de Courtney Love (que começa logo pela aproximação vocal) injecta nestes disparos uma vertente melódica na linha do que os Hole conseguiram tão bem em "Live Through This" (1994) ou "Celebrity Skin" (1998). Pode até ficar muitos furos abaixo do alinhamento quase perfeito desses discos, mas não só está no bom caminho como mostra mais entusiasmo do que as canções recentes da ex-senhora Cobain. "Rat Race", cuja estética anos 90 passa pelo VHS do videoclip, ou "Don't Mess With Me", também para ver e ouvir abaixo, são bons exemplos disso. Já "I Don't Need Your Love" revela uma (admirável) tentativa de algo completamente diferente, com direito a piano, falsete e erupções de cordas.

 

 

Entretanto, em Benidorm...

 

"Mojito, champanhe/ Margarita para acordar/ Martini, Daiquiri/ Caipirinha para embalar/ Pina Colada/ Bloody Mary para o deitar" é uma enumeração feita pelos Mão Morta em "Estância Balnear", mas também podia ser a lista de consumo mínimo do novo videoclip de Koudlam, visita frenética às noites de Verão de Benidorm. E se "Negative Creep" rouba o título a umas das primeiras canções dos Nirvana, o disparo de palavras repetidas pelo cantor e produtor francês lembra mais "Born Slippy", hino dos Underworld que também causou estragos na pista de dança.

 

O single do projecto de Gwenael Navarro, mais ríspido e menos versátil do que o dos britânicos, dificilmente ganhará estatuto de clássico, até porque a insistência na voz processada e na batida de músculo french touch não é para todos os nervos. Mas também é verdade que no videoclip ninguém parece queixar-se, num daqueles casos em que música e imagem (esta a cargo de Cyprien Gaillard) dificilmente poderiam complementar-se melhor.

 

Koudlam vai regressar à costa espanhola em meados de Outubro, altura em que edita o seu terceiro álbum, "Benidorm Dream", cuja mistura de techno, trance e electro tem inspiração no "caos arquitectónico" do resort que lhe dá título (além de músico, o parisiense é arquitecto) e não deverá contar com muitos raios de sol. Por agora, "Negative Creep" é o destaque (e a faixa mais pujante) do EP "The Landsc Apes", depois de uma (óptima) colaboração com os conterrâneos Scratch Massive no negrume de "Waiting for a Sign", em 2011.

 

Quando o México é uma miragem

 

"Mexico", o novo álbum dos GusGus, não só está entre os bons regressos do ano como é o disco mais inspirado dos islandeses desde "This Is Normal" (1999), o seu registo de referência. No domingo, prepara-se para começar a rodar o mundo numa digressão que arranca na cidade-natal da banda, Reiquiavique, com um concerto de abertura para Justin Timberlake. Mas se o cantor de "Cry Me a River" até já passou por Lisboa este ano, infelizmente nenhuma das 25 cidades onde os GusGus vão actuar é portuguesa, o que só vem prolongar uma ausência demasiado longa (desde 2006, no Festival Sunrise, no Algarve?).

 

Enquanto não podemos vê-los num palco próximo, vão chegando mais videoclips. O da faixa-título é já o terceiro (depois de "Crossfade" e "Obnouxiously Sexual") e inspira-se na capa do álbum para experiências de animação a antecipar a cenografia dos concertos, diz a Kompakt Records. A canção, a única instrumental do alinhamento, nem é dos momentos mais brilhantes mas mostra que os islandeses também sabem jogar no campeonato dançável de uns Chemical Brothers:

 

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