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Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Dançar para não chorar

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Alguém tem saudades de "Dawson' Creek"? James Van Deer Beek volta a ter quase mais cinco minutos de fama, na pele da personagem da série, como protagonista involuntário do videoclip de "DRIFTED". Cortesia dos THE SHOES, que anunciam assim o seu regresso (muito bem humorado) depois de "Crack My Bones", um dos gelados do Verão de 2011.

 

"Chemicals", o terceiro álbum do duo francês, está quase aí - chega a 2 de Outubro - e o primeiro single não vai nada mal como aperitivo, a alternar entre a faceta contemplativa e pujante em terreno pop electrónico, como já acontecia em alguns momentos do disco anterior.

 

As imagens que o acompanham são ainda melhores, numa colagem artesanal que recupera o protagonista da série adolescente num momento menos feliz e mistura-o com recortes de cultura pop em formato GIF. Kanye e Kim, Chuck Norris, Zidane, John Malkovich ou Nicki Minaj são alguns dos convidados, mas um sério candidato a vídeo viral dificilmente poderia dispensar gatinhos:

 

 

O amor de Batman e Robin e outras histórias

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E se Batman e Robin fossem um casal? A ideia não é nova (até tem mais anos do que muitos fãs) e a concretização também não, servindo de inspiração para boa parte da fanfiction sobre a dupla dinâmica. Mas "Batguano", de Tavinho Teixeira, pegou no conceito e levou-o para o Brasil de daqui a duas décadas, com o Cavaleiro das Trevas a viver a terceira idade ao lado do seu sidekick de sempre. E para sempre? Fica para descobrir no filme de Tavinho Teixeira, uma das propostas do cartaz do QUEER LISBOA 19.

 

O Festival Internacional de Cinema Queer arranca, aliás, com outro título brasileiro recente, o mais falado "Praia do Futuro", de Karim Aïnouz, centrado num nadador-salvador e num piloto. O drama protagonizado por Wagner Moura abre a 19ª edição do evento nesta sexta-feira, às 21h00, no Cinema São Jorge. Para o fecho fica o novo filme de Peter Greenaway, "Eisenstein in Guanajuato", dia 26 à mesma hora, olhar sobre uma relação homossexual de Eisenstein no México.

 

Já da produção nacional, a Noite Hard com as novas obras de António da Silva ("Doggers", "Limanakia" e "Spunk"), no próximo sábado, é bem capaz de se tornar uma das mais concorridas - não faltaram adeptos na do ano passado. De entrada livre, e com várias exibições, a instalação "AMG Whizz-Bang: Bob Mizer's Pioneering Role in Hardcore Cinema" recua algumas décadas para acompanhar a representação da nudez masculina, em especial a ligação entre os ensaios fotográficos da Athletic Model Guild e pornografia gay.

 

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Outra iniciativa gratuita, esta já habitual, é a secção Queer Pop, dedicada aos 25 anos da "Red Hot + Blue", a primeira de várias compilações da Red Hot Organization, de luta contra a sida - Neneh Cherry, U2, Tom Waits, Erasure, Debbie Harry e Iggy Pop estão entre os nomes a recordar. Por essa altura, o mundo começava a reparar em Björk, cuja videografia também vai estar em destaque (pena que ainda não seja desta que a programação musical encontre espaço para os Garbage, até porque a digressão "20 Years Queer" vinha bem a propósito).

 

Num ano em que a organização realça o olhar mais inclusivo e alargado do mundo, além da comunidade queer, as apostas das longas-metragens em competição acabam por não fugir muito aos relacionamentos gay (entre o boy meets boy e o boy meets man), embora seja dada maior atenção à temática lésbica, bissexual, transgénero e transsexual noutras secções, das curtas à documental, passando pela Queer Art - que também não parecem restringir-se às abordagens mais fechadas e auto-centradas de alguma produção LGBT.

 

E como há mais para ver mas nem sempre é fácil começar a decidir, ficam cinco sugestões para os próximos dias:

 

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1 - "7 KINDS OF WRATH": O Queer Lisboa tem sido de casa de algumas boas surpresas do cinema grego recente, do murro no estômago de "Boy Eating the Bird's Food" ao bem simpático e imaginativo "Xenia". O protagonista deste último filme é, de resto, um dos actores principais da nova (e quinta) longa-metragem de Christos Voupouras, retrato do encontro entre um arqueólogo de 45 anos e um jovem imigrante árabe e da relação que começa a desenhar-se. Mas há outras que se entrecruzam neste drama realista rodado a preto e branco, cujo trailer promete doses generosas de melancolia.

 

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2 - "JE SUIS À TOI": Autor do premiado "Hors les Murs" (2012), o belga David Lambert tem ganho mais alguns elogios nesta segunda longa-metragem, ancorada num jovem argentino que seduz um homem mais velho pela internet e acaba por ir trabalhar para a sua padaria na Bélgica. Drama, comédia, dificuldades do crescimento e dilemas conjugais condimentam o que parece ser um estudo de personagens a espreitar entre as obras em competição.

 

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3 - "LIMBO": Não faltam relatos coming of age nesta edição do festival e uma das mais intrigantes, e das poucas no feminino, é este drama da dinamarquesa Anna Sofie Hartmann. A premissa está longe de ser original - uma aluna do liceu apaixona-se pela professora, que a rejeita -, mas o filme chega com boa reputação, os planos rigorosos e a espontaneidade dos actores não passam despercebidos no trailer e a realizadora, apesar de se estrear aqui nas longas-metragens, já anda nisto há alguns anos e tem currículo nas curtas.

 

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4 - "NOVA DUBAI": A transgressão já foi um dos temas do Queer Lisboa e esse espírito está bem presente numa obra como a primeira longa-metragem de Gustavo Vinagre, mais uma do cinema brasileiro recente em destaque nesta edição. Mais uma mas dificilmente confundível com qualquer outra, já que o olhar sobre a evolução e desolação urbana, assente na nostalgia de um grupo de amigos e com cenas de sexo explícito vividas pelo próprio realizador, faz desta uma experiência pouco dada a normas e consensos.

 

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5 - "ORIENTED": Há uns anos, Telavive foi parte do cenário de um dos melhores filmes que já passaram pelo Queer Lisboa: "The Bubble", de Eytan Fox. Desta vez, a cidade israelita é palco deste documentário assinado pelo britânico Jake Witzenfeld, nascido da amizade de três amigos palestinianos e das suas rotinas do outro lado da fronteira, vincadas por ambições e preocupações distintas. E felizmente para eles, à partida um pouco menos assombradas pelo conflito israelo-árabe do que o tal drama de 2006.

 

O difícil (e tão, mas tão demorado) segundo álbum

Se não foi dos partos mais difíceis da década até agora, não falha por muito. "DESTROYER", o segundo álbum das TELEPATHE, demorou seis anos a chegar depois de ter sido várias vezes adiado. E agora que chega, é só uma novidade parcial: os fãs mais atentos já teriam ouvido pelo menos cinco destas dez canções, que foram sendo reveladas no formato gravado ou ao vivo. Mas com canções destas, é fácil desculpar a dupla nova-iorquina...

 

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A estreia, "Dance Mother" (2009), tinha deixado a bitola elevada, com uma colecção de synth pop cruzada por hip-hop ou experimentalismo capaz de convencer gente como Trent Reznor (que viria a assinar uma remistura) ou James Murphy (LCD Soundsystem). Dave Sitek (dos TV on the Radio) antecipou-se e apadrinhou a banda de Busy Gangnes e Melissa Livaudais logo ao início, encarregando-se da produção do álbum. Mas tantos anos depois, as novas sensações hipster já não passam por aqui e "DESTROYER" não tem tido tanto eco, mesmo junto de alguns meios e publicações que abençoaram o antecessor. O que é pena, porque se este disco não repete o factor surpresa nem conta com um alinhamento tão forte, ainda serve alguma da melhor pop electrónica recente.

 

Com menos contrastes do que o primeiro álbum, o alinhamento aposta quase sempre em canções directas, sem os desvios ao formato clássico presentes nos EPs e ainda a deixar rasto na estreia num longa-duração. Aqui as TELEPATHE estão mais acessíveis do que nunca, mesmo que recusem as tendências da pop actual - da mais mediática à indietronica de vozes femininas, às vezes quase tão formatada.

 

 

Ao contrário do antecessor, o disco foi gravado em Los Angeles e não em Brooklyn, o que talvez possa ajudar a explicar a sonoridade menos densa, às vezes até surpreendentemente luminosa (ouça-se "Drown Around Me", o tema mais uplifting do duo), e a maior atenção a refrãos que ficam no ouvido (com destaque para os da faixa-título e "Slow Learner", pegajosos como poucos).

 

Apesar de ter imposto uma longa espera, "DESTROYER" não soa à manta de retalhos de muitos discos de parto demorado. O alinhamento é fluído e nunca se desvia muito de uma recuperação actualizada de alguns modelos dos anos 80, com ligação directa aos ensinamentos de uns Depeche Mode da fase inicial, Gary Numan, New Order ou Pet Shop Boys, referências inspiradoras de muitos copistas mas aqui a alimentar uma dupla que reforça a personalidade e a sensibilidade pop.

 

Às vezes, nomes mais recentes, como os brasileiros Cansei de Ser Sexy (sobretudo da fase "Planta") e Tetine também não andam longe (até porque também partem dos mesmos modelos de há três décadas), ou até os Ladytron (outros que já começam a deixar saudades), apesar de serem mais versáteis. À falta deles, a synth pop fica muito bem tratada nas canções das TELEPATHE, e este difícil segundo álbum só peca mesmo por não manter a excelência do arranque numa segunda metade ainda suculenta, mas não tão memorável. Nada que impeça "DESTROYER" de se juntar à lista (cada vez mais rara?) de álbuns a ouvir do princípio ao fim, sem precisar de saltar faixas - e já agora, em loop, para matar as saudades...

 

 

Quando o pós-punk encontra a ficção científica

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A estreia homónima dos VIET CONG foi um dos primeiros álbuns editados este ano e, mais importante do que isso, um dos primeiros bons álbuns do ano. Para que não o esqueçamos tão cedo, os canadianos têm mais um videoclip para mostrar, agora a propósito de "BUNKER BUSTER".

 

As imagens que acompanharam os singles "Continental Shelf""Silhouettes" já revelavam que, além de pós-punk ou ambientes góticos, o grupo tem cenários e ideias de ficção científica entre as influências mais nítidas. O novo videoclip não foge ao que começa a tornar-se regra e cruza figuras femininas com atmosferas urbanas, acessórios robóticos e manequins ou andróides que talvez gostem de ouvir rock - ou que pelo menos fazem sentido conjugados com o braço de ferro entre voz e robustez instrumental da canção.

 

O álbum já sugeria que não estão aqui mais uns Interpol, é bom ver que a imagem também vai conquistando território próprio: