Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

gonn1000

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Uma estreia absolutamente fabulosa e outros filmes

absolutely_fabulous

 

Eddy e Patsy estão de volta e não faltam à inauguração do QUEER LISBOA 2016. A 20ª edição do Festival Internacional de Cinema Queer arranca às 21 horas desta sexta-feira no São Jorge, em Lisboa, com "ABSOLUTELY FABULOUS: THE MOVIE", passagem para o grande ecrã da série que marcou a britcom nos anos 90. Com a adaptação de Mandie Fletcher voltam também as protagonistas, Jennifer Saunders e Joanna Lumley, assim como outras actrizes do elenco regular da sitcom - além de Kate Moss, envolvida num acidente que dá o mote ao filme com exibição única nas salas portuguesas no festival (repete no sábado, dia 17, às 17h15, até porque a sessão de sexta já está esgotada).

 

O destaque da sessão de encerramento, a 24 de Setembro, também partiu do pequeno ecrã. "LOOKING: THE MOVIE", o muito aguardado telefilme de Andrew Haigh ("Weekend"), fecha a história de Patrick e das outras personagens da série da HBO que gerou culto e controvérsia. Esta estreia nacional será a última das mais de 100 dedicadas à produção LGBTI recente, novamente através de curtas e longas-metragens, da ficção e do documentário, de secções competitivas ou das Noites Hard, Panorama ou Queer Art exibidas no Cinema São Jorge e na Cinemateca.

 

looking_movie

 

A programação inclui também as já habituais exposições e a secção Queer Pop, ambas de entrada livre - com a segunda a recordar este ano Freddie Mercury, Annie Lennox e a videografia de Derek Jarman, realizador alvo de uma retrospectiva mais ampla ao longo do evento.

 

Entre as novidades do festival mais antigo da capital está também o espectáculo "50. Orlando, ouve", de André Murraças, homenagem às vítimas do tiroteio na discoteca Pulse, nos EUA, que conta com a participação de 50 pessoas - anónimos, actores e figuras públicas - e estreia no palco do São Jorge na primeira noite, antes da sessão de abertura.

 

E como do arranque ao encerramento a escolha é mais vasta, e nem sempre tão óbvia, ficam por aqui sugestões de CINCO FILMES A TER EM CONTA ao longo desta 20ª edição (ficando mais algumas já prometidas para os próximos dias):

 

goat

 

"GOAT", de Andrew Neel: É dos filmes mais falados da secção Panorama, depois do burburinho que deixou nos festivais de Sundance ou de Berlim. Um dos motivos terá sido a participação de Nick Jonas (esse, o ex-elemento da boyband), outro o facto de ter James Franco como actor e produtor. Mas não falta quem elogie a crueza deste drama ambientado numa universidade norte-americana, que promete uma espécie de bromance on acid - pela forma como leva ao extremo os rituais de iniciação masculinos nas fraternidades. Ah, e um dos argumentistas é de David Gordon Green ("George Washington", "Joe", "Prince Avalanche").

 

las_lindas

 

"LAS LINDAS", de Melissa Liebenthal: "Do you know what it feels like for a girl?", perguntava Madonna numa canção há uns anos. A autora deste documentário pode nem ser fã da rainha da pop mas volta a lançar a questão, centrando-se na forma como a mulher é vista e nas pressões (sobretudo de imagem) a que continua a estar sujeita. A realizadora argentina, até aqui com um percurso nas curtas-metragens, baseia-se na sua própria experiência, recuando à infância e ao arquivo pessoal de fotos e vídeos. E felizmente não parece levar-se demasiado a sério num filme já premiado no festival de Roterdão.

 

rara

 

"RARA", de Pepa San Martín: A mãe de Sara vive com outra mulher, o que para ela não é um problema mas para o pai está longe de ser pacífico. E esse incómodo pode propagar-se a terceiros nesta primeira longa-metragem de uma revelação chilena que se destacou no teatro (como actriz e encenadora) e teve uma curta premiada em Berlim. Em vez do dramalhão de outros relatos sobre a homofobia, o filme tem sido elogiado por uma candura que não trai o realismo acentuado pelo elenco e argumento. Um potencial boa surpresa (mais uma) do cinema sul-americano.

 

spa_night

 

"SPA NIGHT", de Andrew Ahn: Centrado numa família de imigrantes coreanos de Los Angeles, este drama distinguido em Sundance chega depois de duas também elogiadas curtas LGBTI. O realizador norte-americano, mas com raízes da Coreia do Sul, volta a deixar indícios autobiográficos ao acompanhar um rapaz dividido entre o desejo e a tradição, partindo dos seus encontro num spa local. A maioria das reações tem destacado o ritmo paciente e o tom minimalista, mas também a subtileza e personalidade deste olhar sobre a(s) identidade(s).

 

Taekwondo

 

"TAEKWONDO", de Marco Berger e Martín Faria: Depois de ter sido destacado no Queer Lisboa, com os "Plan B" e "Ausente", ou no Queer Porto, com o mais recente "Mariposa", Marco Berger volta à programação do festival e à secção competitiva. Desta vez, o realizador argentino colaborou com o conterrâneo Martín Farina (vindo do cinema documental, publicidade e videoclips), embora os seus temas não pareçam ter mudado muito: este é mais um filme sobre a amizade entre dois rapazes, desta vez durante umas férias, com outros amigos, numa casa de campo nos arredores de Buenos Aires. Mas se seguir os passos dos anteriores, vai ser bom.

 

Caminho para a diversão

the_kills

 

Já se sabia que os THE KILLS são das bandas mais confiáveis do rock dos últimos anos e o quinto álbum voltou a confirmá-lo. Não que "Ash & Ice", editado em Junho, tenha trazido novidades de maior à música de Alison Mosshart e Jamie Hince, mas o ligeiro reforço electrónico ocasional chega para injectar alguma frescura numa linguagem já bem sedimentada e reconhecível.

 

Até aqui, essa aposta tem bastado para alinhamentos coesos e costuma sair reforçada ao vivo, como a dupla já mostrou em palcos portugueses e deverá dar novas provas no Coliseu de Lisboa e no Hard Club, no Porto, a 3 e 4 de Novembro, respectivamente - dois dos concertos mais promissores dos próximos meses.

 

No compasso de espera, vão chegando singles como o recente "IMPOSSIBLE TRACKS", digno sucessor de "Siberian Nights" e "Doing It to Death" - a editora tem tido pontaria na escolha, admita-se. O tema é dos mais directos e desopilantes do disco, por isso não admira que o videoclip mantenha o tom descontraído, seguindo a banda num parque de diversões australiano. Enquanto não o ouvimos num palco por cá, fica também o registo da actuação no "The Late Late Show with James Corden", a sugerir (mais uma vez) que a espera vai valer a pena:

 

 

 

Oh não! Outro filme de terror com adolescentes

O fenómeno surpreende, o filme nem por isso. Antes pelo contrário: "NEM RESPIRES" é mesmo das estreias mais frustrantes da temporada.

 

nem_respires

 

Custa a perceber o fenómeno em torno de "NEM RESPIRES", a ponto de fazer da segunda longa-metragem de Fede Alvarez (com Sam Raimi na produção) uma das surpresas das bilheteiras norte-americanas, concedendo-lhe ainda honras de abertura do MOTELX há poucos dias.

 

Até porque o muito apregoado ambiente de terror é algo que pouco se encontra por aqui, uma vez que a tentativa de assalto, por parte de três amigos, à casa de um veterano de guerra cego fica-se mais pelo thriller urbano com óbvia vénia a David Fincher. Mas não só o realizador uruguaino segue sobretudo os moldes de "Sala de Pânico", um Fincher relativamente menor, como fica muito aquém do prodígio técnico desse filme e de momentos de antologia como o genérico inicial - mesmo que o orçamento não seja comparável e que a câmara até se mova por dentro da casa com eficácia, em especial nas cenas da invasão.

 

Se a filmar Alvarez ainda mostra alguma desenvoltura, em tudo o resto "NEM RESPIRES" raramente consegue cumprir os mínimos, com a desvantagem de ir piorando à medida que vai avançando. Os aparentemente escorreitos 88 minutos de duração parecem esticar-se, com alguma margem, quando a acção vai acumulando uma série de situações-limite que quebram qualquer hipótese de suspense palpável, tornadas ainda piores quando o destino do trio de assaltantes é telegrafado logo aos primeiros minutos. E falando neles, fica difícil aderir a um filme com uma construção de personagens tão débil (a destemida, o bad boy, o sonso), estereótipos ao nível do retrato social de Detroit no arranque - a cena com a família da protagonista faz "8 Mile" parecer um prodígio de realismo.

 

nem_respires_2

 

Os actores também não ajudam muito, sobretudo a jovem dupla masculina, e se Stephen Lang até compõe um antagonista credível, o argumento espalha-se decididamente ao comprido na recta final, ao caracterizá-lo de forma a que o espectador torça sem reservas pelos invasores. Só que aí acaba por ser mais tentador torcer pelo final rápido, qualquer que ele seja, de um thriller que vai oscilando entre o redundante (há cenas que parecer tiradas de um livro de estilo de um suposto filme de sustos, pela enésima vez) e o irritante (a banda sonora que raramente dá tréguas quando o silêncio seria a melhor opção, "ressuscitações" insultuosas).

 

Dada a overdose de lugares comuns, poderia pelo menos haver aqui alguma ironia, alguma irrisão, mas nada disso: "NEM RESPIRES" leva-se tremendamente a sério e só dá vontade de regressar a "A VISITA", outro filme recente que fechou velhos e novos numa casa, ao longo de uma noite terrível, e que acerta em tudo o que não resulta aqui. M. Night Shyamalan, volta (mais uma vez) que estás perdoado quando as alternativas do momento são surpresas destas...

 

 

 

Este robô é um mimo

rhcp_go_robot

 

Apesar de "The Getaway", o novo álbum dos RED HOT CHILI PEPPERS, ser o primeiro em 25 anos (!) sem Rick Rubin na produção - que deu aqui lugar a Danger Mouse -, os californianos continuam iguais a si próprios ao longo do alinhamento. Tanto para o bem - quem já gostava deles não deverá mudar de ideias - como para o mal - dificilmente conseguirão convencer os que os acusam de estarem demasiado agarrados a uma fórmula.

 

Mesmo assim, de vez em quando o quarteto lá se permite desviar-se, ainda que ligeiramente, da sonoridade de marca que o single de apresentação, "Dark Necessities", voltou a assegurar. Um exemplo disso, talvez o melhor do álbum, é a aposta oficial mais recente, "GO ROBOT". Comandado por um baixo pegajoso, com sintetizadores e percussão vincados q.b. a acompanhar, é um dos singles mais refrescantes do grupo em anos e ainda chega a tempo de arranjar lugar na banda sonora deste Verão (estação com a qual os RHCP continuam a dar-se especialmente bem).

 

O travo disco do tema não é acidental e tem seguimento no videoclip, declaradamente inspirado em "Febre de Sábado à Noite" e rodado em alguns locais pelos quais John Travolta passou nos anos 1970, em Brooklyn. Mas desta vez o protagonista é mesmo Anthony Kiedis, em modo tão bamboleante como de costume mas a aceitar o desafio de um extreme makeover. O hedonismo da canção sai reforçado com as imagens e a festa também deverá agradar aos fãs da série "The Get Down", de Baz Luhrmann, outra das boas novidades da temporada:

 

 

Os melhores filmes do século, sem "Mulholland Drive" e com super-heróis

donnie_darko

 

Aproveitando a deixa da BBC, que listou há uns dias os 100 melhores filmes deste século, tentei chegar a um top 10 pessoal sobre as estreias dos últimos 16 anos. Não me passou pela cabeça escolher "Mulholland Drive", o vencedor do balanço das opiniões de centenas de críticos, mas curiosamente ainda partilho duas escolhas com as dez primeiras  da lista original. E até poderia partilhar três, já que quase cabia aqui "Boyhood: Momentos de Uma Vida", como caberiam muitos outros (de "A Vida Não é Um Sonho" ou "Relatório Minoritário", apesar de nem terem saído muito a ganhar com revisionamentos recentes, aos mais discretos "Podes Contar Comigo" ou "L.I.E - Sem Saída"). Tendo em conta que chegar à lista final já foi suficientemente complicado, a ordem possível é mesmo a alfabética e não a de preferência:

 

"A Nossa Vida", Daniele Luchetti (2010)
"As Canções de Amor", Christophe Honoré (2007)
"Cidade de Deus", Fernando Meirelles e Kátia Lund (2002)
"Divertida-mente", Pete Docter (2015)
"Donnie Darko", Richard Kelly (2001)
"Gran Torino", Clint Eastwood (2008)
"O Despertar da Mente", Michel Gondry (2004)
"Scott Pilgrim Contra o Mundo", Edgar Wright (2010)
"Uma Separação", Asghar Farhadi (2011)
"Volver - Voltar", Pedro Almodóvar (2006)