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gonn1000

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Um álbum muito lá de casa

adult

 

Quatro anos depois de "The Way Things Fall", os ADULT. preparam o regresso aos discos e desta vez trazem companhia. "Detroit House Guests", o sétimo álbum da dupla norte-americana, é o resultado de um encontro de Adam Lee Miller e Nicola Kuperus com vários artistas que não se ficou pela colaboração musical e incluiu o convívio regular durante semanas no mesmo espaço.

 

A guest list de ilustres conta com Shannon Funchness (Light Asylum), Michael Gira (Swans) ou Douglas J McCarthy (Nitzer Ebb), este último em destaque no primeiro single do disco agendado para 17 de Março. Apesar das parcerias em todas as novas faixas, "THEY'RE JUST WORDS" dá a entender que os ambientes da dupla não mudaram muito, com uma pop electrónica fria e negra, a caminho da coldwave, a comandar mais uma vez os acontecimentos. Ainda assim, a alternância vocal entre Kuperus e o convidado é um elemento novo suficientemente intrigante, bem servido por um videoclip a acentuar a atmosfera de desolação urbana sugerida pelo tema:

 

 

Quem é David Haller?

legion

 

Mesmo quem não seja fã do universo dos X-Men deve dar uma oportunidade a "LEGION". A primeira série de imagem real inspirada nos mutantes da Marvel estreou esta semana em Portugal, na FOX, e a julgar pelo episódio piloto é das variações mais inventivas das histórias de super-heróis dos últimos tempos, como escrevo neste artigo do SAPO Mag. E tendo em conta este arranque promissor, deixo mais sugestões de outras personagens dos X-Men a adaptar para TV.

 

Fundo de catálogo (106): Blur

blur-1997

 

Há 20 anos, os BLUR disseram adeus aos trompetes. O quinto álbum dos britânicos, editado a 10 de Fevereiro de 1997, não é homónimo por acaso, ao ter surgido no período da ressaca da fama acumulada sobretudo por "Parklife" (1994) e "The Great Escape" (1995). Depois desses dois marcos da euforia britpop, o risco de a banda ficar refém de um público adolescente (entretido pela guerra com os Oasis alimentada por alguma imprensa) impôs um virar de azimutes de parto doloroso que redefiniu a identidade do projecto.

 

Graham Coxon propunha fazer um disco que ninguém quisesse ouvir. Damon Albarn não queria abdicar da melodia, mas acedeu ao interesse do guitarrista por algum rock alternativo norte-americano (o dos Pavement, Dinosaur Jr. ou Beck). E dessa influência resultou um álbum surpreendentemente agreste e enxuto, com uma sensibilidade lo-fi a milhas da pompa orelhuda de outros tempos. No Reino Unido, a crítica vaticinou o suicídio comercial, mas o primeiro single, "Beetlebum", teve resposta imediata e o segundo, "Song 2", tornou-se um clássico instantâneo e fez a ponte com o outro lado do Atlântico que o grupo tentava há muito:

 

 

Ouvido à distância de duas décadas, "BLUR" soa menos datado do que os antecessores e tem algumas das alianças mais desafiantes entre composição e produção do quarteto. O devaneio spoken-word de "Essex Dogs", a fechar, abre a porta à electrónica exploratória que teria mais peso no sucessor, o ainda melhor "13" (1999). A atmosfera entre o críptico e o melancólico de "Death of a Party" já deixava pistas do lado mais sombrio dos Gorillaz (basta contrastá-la com "Tomorrow Comes Today") enquanto que "Chinese Bombs" antecipava a faceta punk da banda cartoon. Já a discreta "You're So Great" encorajou o profícuo percurso a solo de Graham Coxon e ainda está entre as suas canções de antologia, tão simples como desarmante - e um dos momentos mais corajosos de um álbum que não se esgota nos singles.

 

 

Amores imaginários

formation

 

"Moonlight" numa carruagem do metro? Com o filme de Barry Jenkins ainda fresco nas salas de cinema, é difícil não pensar nele ao ver o videoclip de "A FRIEND", o novo single dos FORMATION, que parece ensaiar uma versão muito condensada de alguns elementos desse drama.

 

Em pouco mais de três minutos, esbate-se a fronteira entre a amizade e o amor na relação destrutiva (e fisicamente violenta) de dois rapazes, com alusões ao bullying e à homofobia - aqui não numa comunidade afro-americana, como no filme, mas presumivelmente no centro de Londres.

 

Will Ritson, o vocalista da banda britânica, é um dos protagonistas do vídeo e tem referido que as imagens tornam mais óbvia a diluição entre o papel de amigo e amante sugerida pela letra, vertigem consolidada pelo início acelerado do tema, com cowbell a marcar o ritmo, e um refrão eufórico e galvanizante. O resultado é um pedaço enérgico de indietrónica que não destoaria ao lado dos melhores singles de uns Friendly Fires ou The Shoes e abre caminho para o álbum de estreia do quinteto, "Look at the Powerful People", que chega a 24 de Março: