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gonn1000

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

A banda não regressa, mas a vocalista está perdoada

Juanita Stein

 

Desde "Heartstrings", de 2014, que não há novidades dos Howling Bells, mas em compensação o percurso a solo de JUANITA STEIN parece cada vez mais imparável. Depois do álbum de estreia em nome próprio, "America", editado no ano passado, a australiana já gravou o sucessor e está prestes a lançá-lo.

 

"Until The Lights Fade" chega a 31 de Agosto e tem em "FORGIVER" o single de apresentação, tema composto a meias com Brandon Flowers, dos The Killers (banda para a qual Stein assegurou algumas primeiras partes na digressão mais recente antes de se juntar à de Bryan Ferry).

 

O vocalista também foi o produtor de uma canção que arranca em modo trepidante, a lembrar a faceta mais eléctrica dos Howling Bells, antes de ir alternando o ritmo através de um refrão desacelerado e envolvente, com Stein a moldar-se a ambientes quase dream pop que também fazem parte da sua escola - e nos quais o seu timbre assenta especialmente bem.

 

O videoclip é tão despojado como outros da cantora a solo - caso de "Stargazer" ou "Dark Horse" - e acompanha-a nas ruas de Shepard’s Bush, zona na qual viveu há uns anos quando se mudou para Londres:

 

 

Reino animal

Drama contemplativo e ocasionalmente espirituoso, olhar intrigante de uma realizadora sobre o universo masculino, "WESTERN" vai revelando aos poucos porque é que Valeska Grisebach é das cineastas mais aplaudidas do novo cinema alemão.

 

Western

 

Apesar de só agora chegar ao circuito comercial português, "WESTERN" foi dos filmes mais celebrados de vários festivais no ano passado (chegou a passar por cá no Lisbon & Sintra Film Festival) e tem sido, para muitos, a confirmação do talento de Valeska Grisebach, que há cerca de dez anos se destacou entre os realizadores-chave da Nova Escola de Berlim.

 

Felizmente, o terceiro filme da cineasta alemã confirma-se uma experiência bem mais aliciante do que o anterior, o já distante "Sehnsuch" (de 2006, exibido em Portugal no IndieLisboa e na KINO), que não levava o seu realismo quase documental a territórios muito férteis. O novo drama partilha de alguma dessa atmosfera, mas se ainda aposta num tom cerebral esquiva-se à auto-indulgência ao aliar rigor, tensão e um humor em lume brando numa variação inspirada e personalizada da premissa "estranho numa terra estranha".

 

Centrando-se num núcleo de personagens dominado por homens, Grisebach acompanha um grupo de trabalhadores alemães que chegam ao interior da Bulgária para a construção de uma central hidroeléctrica. E vai acompanhando também o misto de estranheza e desconfiança que molda a relação dos forasteiros com a comunidade, revelando aí a razão de ser do título do filme. Neste "WESTERN" não há índios nem cowboys, mas como alguém diz a certa altura, a lógica do "matar ou ser morto" tende a instalar-se quando a animosidade se torna mais conturbada devido a uma limitação do abastecimento de água.

 

Western 2

 

Entre a fronteira desse conflito está Meinhard, o operário mais circunspecto e observador, que vai criando laços com elementos da população e faz também a ponte entre o espectador e os residentes. O protagonista pede emprestado o nome ao actor (não profissional) Meinhard Neumann e fica por saber até que ponto o primeiro é uma extensão do segundo, mas Grisebach sabe como tirar partido do seu underacting para ir subvertendo expectativas - tanto sobre os códigos comportamentais masculinos (especialmente em tempos onde se discute a masculinidade tóxica) como sobre as crónicas de aproximação cultural que parecem rumar ao caos civilizacional.

 

Olhar sobre o outro atravessado por uma sensação de paz armada, "WESTERN" é um drama implosivo que por vezes ameaça esgotar-se no exercício de estilo, embora Grisebach se esquive a simplificações enquanto aborda um jogo de poder movido por alguma sobranceria inicial (de parte das personagens alemãs) e, no limite, pelo instinto de sobrevivência. E se o desfecho pode ser acusado de ser anti-climático (ainda que deliberadamente), o que está para trás - das sequências com um cavalo a algumas cumplicidades inesperadas - impede que este seja filme a esquecer facilmente à saída da sala.

 

3,5/5

 

 

Um single a pedir play e replay

Roisin Murphy 2018

 

A parceira de RÓISÍN MURPHY e Maurice Fulton, iniciada este ano e para continuar ao longo do Verão, tem-se mantido proveitosa. Se "All My Dreams" já tinha deixado no ar que uma série de colaborações entre a ex-vocalista dos Moloko e o produtor era boa ideia, o novo single resulta num dos singles mais directos e contagiantes da irlandesa.

 

Mais uma vez inspirado pelo universo da música de dança, em especial a de inícios dos anos 90, "PLAYTHING" é um encontro entre a house a pop que tem tanto de familiar como de fresco. Chega a lembrar os momentos mais enérgicos de uns Hercules & Love Affair, que também têm revisitado esses ambientes, mas com o bónus de ter a voz de Murphy como elemento sempre diferenciador.

 

O videoclip também está na linha do que acompanhava o single anterior, ao apostar em cenários de uma discoteca underground q.b. com a cantora à frente e atrás das câmaras. E além desta canção, há mais uma novidade: o lado B "Like", outro excercício dançável que faz jus ao título.

 

 

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