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gonn1000

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

De Seattle a Cabul, com desvios por Lisboa e Porto

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"Is there gold?", questiona "NIGHT FLIGHT TO KABUL", o novo single da MARK LANEGAN BAND, ao longo do qual o vocalista e mentor do projecto vai lançando farpas ao imperialismo norte-americano (sem se tornar demasiado óbvio ou panfletário).

 

A canção é a mais recente a abrir caminho para o próximo álbum do veterano de Seattle e ex-Screaming Trees, "Somebody’s Knocking". O sucessor de "Gargoyle" (2017) tem edição prevista para 18 de Outubro e parece seguir as pistas lançadas nesse disco, ao conjugar a voz rugosa e imediatamente reconhecível do seu autor com uma presença mais forte de sintetizadores - mas sem abdicar das guitarras.

 

A linhagem entre o pós-punk e o gótico já marcava presença nas amostras anteriores, as igualmente propulsivas "Stitch It Up" e "Letter Never Sent" e a mais meditativa "Playing Nero", todas a apontar um regresso convincente.

 

Além do álbum, o grupo está de volta aos palcos e Portugal não vai ficar de fora: há concertos a 30 de Outubro, no Lisboa ao Vivo, e no dia seguinte no Hard Club, no Porto. E se Lanegan se mantiver em forma como há dois anos, na primeira parte dos Guns N' Roses no Passeio Marítimo de Algés, são datas a considerar seriamente (sobretudo num último trimestre parco em actuações imperdíveis por cá).

 

 

Uma dupla dinâmica, entre a devoção e a superação

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Trip-hop gótico? R&B industrial? Os RITUALS OF MINE ainda não parecem ter decidido para onde levar a sua música, mas a procura de rumo tem sido intrigante. Formada há dois anos, a dupla da cantora e compositora Terra Lopez e do percussionista Adam Pierce encara a sua colaboração como uma forma de catarse e o primeiro passo, o álbum "Devoted" (2016), apresentou uma montra promissora desse universo.

 

Canções como a tremenda faixa-título (PJ Harvey meets Light Asylum?) ou a mais contida "Your Girl" foram exemplos de uma electrónica negra e versátil, com descendência de alguns cruzamentos dos anos 90 devidamente actualizados. Não admira, por isso, que o duo de Los Angeles tenha assegurado as primeiras partes de concertos dos Garbage (Shirley Manson é fã), Tricky ou Deftones, alguns dos nomes cuja influência se pressentia no registo de estreia.

 

Com o regresso aos discos prometido para 4 de Outubro, data de lançamento do EP "Sleeper Hold", os norte-americanos revelam por agora a amostra inicial. "BURST" marca, avança Lopez, o mergulho numa escrita mais auto-biográfica, vincada pelo ultrapassar de traumas antigos, e o processo de superação tem eco num videoclip descrito como um "Space Jam" queer. O single, não sendo dos episódios mais explosivos da dupla, também não vê a intensidade habitual beliscada, numa abordagem mais directa a um R&B claustrofóbico q.b.:

 

 

Do romance à resistência

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Enquanto se preparam para a digressão norte-americana, a arrancar em Setembro (depois de terem passado por palcos europeus no primeiro semestre), os MASHROU' LEILA continuam a apostar nas canções inéditas da compilação "Beirut School", editada este ano.

 

Tal como o single anterior, "Cavalry", "RADIO ROMANCE" foi co-produzido por Joe Goddard, dos Hot Chip, e é um dos temas que reforçam a carga electrónica da música do quarteto libanês. O apelo dançável não diminiu a vertente activista da banda, que deixa mais uma ode ao amor como resistência à opressão.

 

Essa postura também se reflecte num videoclip animado, que vai acompanhando um casal (cujo género nunca chega a ser claro) pelas ruas de Beirute, com uma dança de (des)encontros que homenageia "aqueles que ainda não desistiram" na luta contra a homofobia ou a intolerância religiosa - duas das principais bandeiras de um grupo que tem agitado a música árabe como poucos:

 

 

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