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Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Rock in rio

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Um dos bons álbuns de rock do ano tem assinatura francesa e confirma os REQUIN CHAGRIN como uma banda a seguir com atenção, quatro anos depois do disco de estreia homónimo. E um bom pretexto para o (re)descobrir, alguns meses depois do lançamento, é o novo single, sucessor do grandioso "Sémaphore".

Entre ecos da dream pop e do shoegaze, "RIVIÈRES" atesta o sentido melódico apurado do grupo e o gosto particular por harmonias vocais - e também ajuda a explicar porque é que o quarteto foi a primeira aposta da KMS Disques, a editora de Nicola Sirkis, vocalista dos Indochine. O videoclip, sem a carga cinematográfica das imagens do cartão de visita anterior, concentra-se numa actuação da banda e mantém a inspiração aquática do tema:

Sonata de Outono

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Desde a estreia, com "Dark Undercoat" (2007), EMILY JANE WHITE tem mostrado ser uma cantautora capaz de recompensar quem lhe dá atenção. Prova disso é uma discografia que, sem fugir à folk negra que lhe serviu de matriz,  se manteve interessante, personalizada e consistente ao longo de cinco álbuns.

"Immanent Fire", agendado para 15 de Novembro, é o sexto capítulo que já tardava (o anterior, "They Moved in Shadow All Together", saiu em 2016), e a norte-americana assume que é o mais marcado por preocupações feministas e ecológicas, além de convidar a uma revalorização do emocional e do espiritual.

"Light", o primeiro avanço, revelado há poucas semanas, tinha mostrado a cantautora a percorrer um território que conhece bem, e pouco condizente com o título do tema - o ambiente mantinha-se tão sombrio e outonal como até aqui. Já "WASHED AWAY", a segunda canção divulgada, não coloca de parte a melancolia mas mostra-se mais esperançosa ("I got up and walked in the night/ And I refused to be washed away"), com uma luminosidade que também passa pela moldura sonora.

Embora a voz se junte ao piano, a apontamentos electrónicos e a arranjos de cordas, o resultado está muito longe de um exercício barroco e deixa intacto o tom de câmara da música de EMILY JANE WHITE. A conjugação do orgânico e do digital, que está entre as inspirações do disco, foi o ponto de partida para o videoclip:

Filmes para toda(s) a(s) família(s)

De volta à Invicta para a quinta edição, o QUEER PORTO decorre de 16 e 20 de Outubro no Teatro Rivoli, Maus Hábitos e Reitoria da Universidade do Porto e é dedicado aos 50 anos dos motins de Stonewall. Mas o programa também passa por outras épocas e espaços - alguns recentes e familiares, como os de três filmes da secção competitiva que prometem valer a visita.

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"A DOG BARKING AT THE MOON", de Xiang Zi: Inspirada nas experiências da realizadora chinesa radicada em Espanha, que se estreia aqui nas longas-metragens depois de um longo percurso nas curtas, esta é história de uma família disfuncional que percorre várias décadas e cuja tensão deriva do relacionamento conturbado entre a matriarca e o patriarca - e que ameaça causar ainda mais danos quando ela se envolve numa seita para tentar lidar com o facto de ele ser homossexual. O novelo de segredos e mentiras, com muitas repressões e acusações pelo meio, vai sendo desvendado com um olhar agridoce e uma realização rigorosa, características que têm estado na origem de vários elogios e prémios - caso das seis nomeações e duas vitórias na mais recente edição do Festival de Berlim.

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"LOS MIEMBROS DE LA FAMILIA", de Mateo Bendesky: Os relatos sobre a entrada na idade adulta dominaram parte da selecção do Queer Lisboa, há poucos dias, e este drama argentino volta a insistir na temática. Mas nem por isso deixa de parecer dos filmes mais promissores. Centrado em dois irmãos adolescentes, segue a forma como lidam com a morte recente da mãe enquanto ficam retidos numa pequena localidade costeira devido a uma greve de autocarros. Nomeado ao Teddy Award na mais recente edição do Festival de Berlim, entre outras distinções internacionais, o resultado tem sido elogiado pela forma descomplexada através da qual retrata o luto, com a melancolia a conviver com o humor. Uma combinação que algum cinema argentino tem sabido fazer nos últimos anos, e da qual a segunda longa-metragem do realizador, argumentista e professor universitário (sucessora de "Acá adentro", de 2013, e de duas curtas) tem sido apontada como exemplo a ter em conta.

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"RAIA 4", de Emiliano Cunha: Ancorado no quotidiano de uma adolescente cuja prioridade é a natação e que se torna próxima de uma colega, com a qual desenvolve um relacionamento entre a curiosidade e a disputa, este drama intimista parte de uma premissa que lembra muito a de "Naissance des pieuvres" (2007), o belo primeiro filme da francesa Céline Sciamma (que só passou por salas nacionais na Festa do Cinema Francês). Mas as reacções iniciais a esta revelação do cinema brasileiro, também ela uma primeira longa (depois de várias curtas), dão a entender que o rumo da protagonista acaba por ir divergindo - e nem falta quem o acuse de perder o pé num final que não deixará o espectador indiferente. De qualquer forma, até os menos rendidos ao desfecho têm salientado que o apuro visual ou a direcção de actores justificam o mergulho nestas águas.

Um álbum para iniciar 2020

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Entrada directa para a lista de discos a aguardar em inícios de 2020: "When We Stay Alive", o quarto álbum dos POLIÇA, chega a 31 de Janeiro e foi gravado a seguir a um período em que a vocalista esteve acamada depois de uma queda.

O trauma dessa fase, durante o qual Channy Leaneagh ficou imobilizada e com a coluna comprometida, acabou por ter efeito nas novas canções, atravessadas pelo "poder redentor de reescrever a nossa história" através do processo de recuperação e da reafirmação da identidade, descreve a cantora.

O primeiro single, no entanto, soa mais a um passo de evolução na continuidade e não destoaria no álbum antecessor, "United Crushers" (2016), ao conjugar uma voz lacónica com sintetizadores sombrios e enigmáticos q.b.. Curiosamente, o lado B, "Trash In Bed", acaba por ser mais imediato, culpa da produção de Boys Noize, com um embalo electro a caminho da pista de dança.

O DJ alemão não é o único colaborador dos norte-americanos: Ryan Olson, ex-mentor dos Gayngs, produziu a maior parte dos temas; Jim Eno, baterista dos Spoon, encarregou-se da mistura e Bon Iver também participa. Já Isaac Gale assinou o videoclip de "DRIVING", tão minimalista e sinuoso como a canção:

Brisa de mudança

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O novo single dos HERCULES & LOVE AFFAIR diz logo ao que vem: chama-se "CHANGE" e é o primeiro passo de uma mudança no projecto de Andy Butler - e o primeiro inédito desde o quarto álbum, "Omnion" (2017).

O tema marca o início da colaboração com Alec Storey (AKA Second Storey), produtor que terá ajudado a vincar uma sonoridade mais fria e devedora do techno ou do electro, num contraste com a house e o disco, mais predominantes até aqui.

A viragem também vai reflectir-se nos concertos, com o novo cúmplice a encarregar-se da percussão, que promete ganhar mais peso, em detrimento das vozes convidadas que não faltavam nas actuações do projecto. O novo single dá também o título ao EP que apresenta esta opção sonora: "Change" é editado a 1 de Novembro e inclui ainda remisturas, à partida mais negras e maquinais, de "Raise Me Up" (com Anohni), "My Offence" (com Krystle Warren) e "Are You Still Certain" (com os Mashrou' Leila).

"Change will get you through", canta Andy Butler no avanço inicial. E para já, esta parece ser uma boa mudança, com reflexo directo num videoclip com coreografias pouco convencionais e a cargo de um grupo de bailarinos diversificado:

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