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gonn1000

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Vivendo (e dançando) os anos 20

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Tal como o disco de estreia, homónimo, editado há três anos, o segundo álbum de MURA MASA corre o risco de ser confundido com uma compilação, a julgar pela quantidade de convidados. Depois de ter juntado Damon Albarn, Charli XCX, Jamie Lidell, A$AP Rocky ou Christine and the Queens no antecessor, o músico natural da ilha de Guernsey volta a reunir uma série de ilustres, de slowthai aos Wolf Alice, passando por Clairo e Tirzah.

Mesmo assim, desta vez a guest list é ligeiramente mais contida e, talvez por isso, o alinhamento de "R.Y.C" acaba por ser menos disperso enquanto une o cantor, compositor, multi-instrumentista e produtor a algumas das maiores esperanças da nova geração britânica. E a reunião até faz sentido, uma vez que a maioria das canções se centra no que é ser um jovem adulto hoje - Alexander Crossan tem apenas 23 anos -, incluindo alguns acessos inesperadamente confessionais (principalmente as faixas que não têm colaborações).

Ao contrário da estreia, aqui as guitarras saem a ganhar à electrónica e o ambiente é mais melancólico ou inquieto do que festivo. O principal desvio será "LIVE LIKE WE'RE DANCING", momento de descompressão com a voz de Georgia (também ela autora de um segundo álbum este ano) e um single óbvio, ao apelar à dança com produção mais french do que brit. É um hino contagiante para as pistas e não surpreende que seja a nova aposta oficial para o álbum. O videoclip segue-lhe os passos enquanto vai abrindo a porta ao fim de semana:

Chuva e cantoria na cidade de Tóquio

2020 ainda só está no princípio, mas "O TEMPO CONTIGO" fica já com lugar guardado entre as experiências cinematográficas mais deslumbrantes do ano. E se o argumento nem sempre está ao nível do espectáculo visual, esta é uma bela forma de acolher Makoto Shinkai nas salas portuguesas.

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Embora seja um dos nomes mais aplaudidos do cinema de animação japonês dos últimos anos (não falta quem o considere "o novo Miyazaki"), Makoto Shinkai ainda não dirá muito à esmagadora maioria dos espectadores portugueses. Mas pode ser que a situação comece a mudar com o seu quinto filme, que é o primeiro a estrear-se em salas nacionais. E apesar de haver quem garanta estar uns furos abaixo do antecessor, "Your Name" (2016), para muitos a sua obra-prima, esta não deixa de ser uma das melhores surpresas a chegar ao circuito comercial no início do ano.

História de fantasia em tons de fábula, "O TEMPO CONTIGO" acompanha a chegada de um adolescente a Tóquio, depois de fugir da pequena ilha onde cresceu, e o início de uma nova vida que mostra ter alguns obstáculos pelo caminho. Mas o seu dia-a-dia torna-se mais luminoso (literalmente) quando conhece uma rapariga capaz de convocar a luz solar através de uma oração, capacidade muito rentável num contexto em que a capital japonesa é vítima de um clima insistentemente chuvoso.

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Infelizmente para a jovem dupla, esses biscates lucrativos trazem uma série de problemas associados, e aos poucos o relato ameno do primeiro amor e do início da idade adulta vai cedendo espaço a uma atmosfera de tensão e suspense, com o relacionamento do par a ter impacto directo no destino de toda a metrópole.

Por um lado, "O TEMPO CONTIGO" chega na altura certa, já que alguns elementos da acção estão muito próximos de alguns dos piores cenários possíveis das alterações climáticas. Por outro, Shinkai não parece muito interessado em fazer aqui um ensaio sobre o tema, com o alerta para as questões ambientais a ser eclipsado pela lógica de vida ou morte que atormenta a relação do par protagonista. Esta é, acima de tudo, uma história coming of age, e com todo o dramatismo a que a experiência de ser adolescente tem direito: não faltam sentimentos exacerbados nem música a condizer, num filme que não marca muitos pontos pela subtileza emocional.

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Mas quem encarar aspectos como esse - ou como as demasiadas (e convenientes) coincidências do argumento - mais como feitio do que como defeito, terá mais facilidade em aproveitar o muito de original e singular que há por aqui.

Visualmente, percebe-se porque é que o realizador tem sido tão elogiado - ou porque é que este foi o filme mais visto no Japão em 2019. Entre o retrato de Tóquio, a vincar um sentido de espaço decisivo, e as imagens das transições meteorológicas, a animação nunca é menos do que fulgurante e detalhada, seja no desenho do quotidiano urbano (da arquitectura à multiplicidade de ecrãs), seja nos efeitos de luz e sombra entre o sol, as nuvens e as gotas de chuva.

No plano narrativo, "O TEMPO CONTIGO" mostra-se mais inconstante, sobretudo quando deixa demasiadas questões no ar. Não é que todas precisem de resposta, mas algumas dificultam a aproximação às personagens - entre elas o motivo da fuga do protagonista da sua cidade-natal. Ainda assim, Shinkai sai-se particularmente bem no arranque, quando apresenta a sua Tóquio ao espectador pelos olhos do seu jovem herói, e no final, ao colocar em marcha uma sucessão de perseguições desopilantes, mesmo que a duração do filme pudesse ser mais curta. Pelo caminho, oferece uma aventura envolvente, às vezes divertida e com uma imaginação prodigiosa, a deixar vontade de conhecer o que está para trás e a prestar atenção ao que aí vem. É tempo bem passado, este.

3,5/5

Era uma vez no Oeste

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Entre a country, o shoegaze e o rock de contornos indie, "DESCRIBE" prepara terreno para o quinto álbum de PERFUME GENIUS e sugere mudanças assinaláveis na música de Mike Hadreas. O primeiro single de "Set My Heart On Fire Immediately", disco agendado para 15 de Maio, traz uma sonoridade mais rugosa e distorcida, ameaçando afastar-se da folk pop de câmara habitual na obra do músico de Seattle.

A viragem talvez seja resultado do ADN "decididamente americano" que o cantautor diz dominar os seus novos temas, num álbum mais livre e que procura subverter conceitos de masculinidade e papéis tradicionais.

O videoclip, realizado pelo próprio, já se faz a esse caminho e ensaia a hipótese de um western queer, tornando um certo imaginário do interior norte-americano num mundo "onde não há limites, não há muros, não há regras ou as regras são completamente novas", conforme assinala Hadreas ao descrever os ambientes visuais de "DESCRIBE":

Uma banda muito moderna

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Dos Indochine aos Marilyn Manson, dos Depeche Mode aos Nine Inch Nails, numa viagem que passa pelo punk, industrial, electro ou synth-pop... Estas são algumas das coordenadas que os MODERN MEN avançam ao descreverem o EP "Anéantir Le Monde Moderne".

Editado no final de 2019, o disco é o primeiro da dupla francesa depois de uma demo e do single "10:10", exercício exploratório com mais de dez minutos de duração. Projecto paralelo de músicos com percurso feito noutras bandas - MNNQNS, Greyfell ou Elephants -, esta nova aventura já levou as suas canções a palcos de Paris, Nantes ou Rouen (cidade natal do duo) em concertos efusivos e elogiados por publicações como a Les Inrocks.

Estridente e sintética, a sonoridade de Adrian e Quentin tem herança assumida de vários nomes dos anos 80 e 90, como os referidos atrás, mas também não anda longe de contemporâneos como uns Petbrick ou Daisy Mortem (estes também conterrâneos). E apresenta um dos melhores cartões de visita no novo single, "TIRER SUR L'AMBULANCE", ainda mais demolidor ao vivo e com o sentido de urgência a prolongar-se no videoclip, com a dupla entregue a beijos e abraços num WC entre luzes estroboscópicas e telemóveis a registar o momento. Mais do it yourself do que isto era difícil:

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