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gonn1000

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Dos anos 80 aos novos anos 20

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Embora ainda esteja a caminho do primeiro álbum a solo, LOU HAYTER está longe de ser uma principiante. A cantora, compositora, multi-instrumentista e DJ britânica começou por se fazer notar como teclista dos New Young Pony Club (saudades!), formou o projecto Tomorrow's World com JB Dunckel, dos Air, e foi metade de outra dupla nos New Sins, ao lado de Nick Phillips, além de ter mantido nos últimos anos um percurso que tem aliado a música e a moda.

Mais recentemente, tornou-se colega de editora de Fatboy Slim, Róisín Murphy ou Hercules & Love Affair na Skint Records, o que já deixa a suspeita de o seu disco de estreia em nome próprio, que deverá chegar nos próximos meses, ser tão direccionado para a pista de dança como as bandas das quais fez parte. A lista de inspirações também não faz esperar grande calmaria rítmica, com os anos 80 segundo David Bowie, Prince, Madonna ou Human League entre as principais referências de um alinhamento que promete juntar electro, house, R&B ou a elegância de alguma pop francesa.

"Cherry on Top", um single inicial escorreito, surgiu discretamente já há três anos, e no final de 2020 chegaram "My Baby Just Cares For Me" e "Private Sunshine", a alargar a paleta sonora: o primeiro a lembrar o hedonismo da fase inicial da rainha da pop e dos New Young Pony Club (saudades, mesmo) via funk sintético, o segundo a trocar a festa pela introspecção em clima downtempo, próximo das canções de "Moon Safari", dos Air, interpretadas por Beth Hirsh (heranças da colaboração com JB Dunckel nos Tomorrow's World?).

Mas se o terceiro cartão de visita desacelera, o regresso às pistas não tarda, cortesia da remistura de Tom Furse (teclista dos The Horrors) na qual o original se torna irreconhecível, das vozes distorcidas ou fatiadas à pulsão hipnótica. Longe desse frenesim, o primeiro videoclip ajuda a moldar o tom retro-futurista da música enquanto ficamos com mais um motivo para esperar pela Primavera, estação que deverá acolher o lançamento do disco:

Delírio de uma tarde de Verão

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No ano passado, "Letrux aos Prantos" alargou os horizontes de uma das vozes mais inquietas e idiossincráticas da música brasileira actual, revelada em "Letrux em Noite de Climão" (2017). O segundo álbum deu quase sempre tréguas ao clima de festa, mas trouxe outros desafios ao universo de LETRUX, do reforço do olhar interior a colaborações com Lovefoxxx (vocalista dos Cansei de Ser Sexy) ou Liniker e os Carmelows.

Mais recentemente, a cantautora tem continuado a apostar no alinhamento do disco, embora não se limite a extrair mais um ou outro single (ainda que tenha promovido "Eu Estou aos Prantos" ou "Vai Brotar" depois de "Déjà Vu Frenesi"). O caminho é antes feito com o EP "Prantos Pandémicos" em perspectiva, registo que vai recuperar cinco canções do segundo longa-duração revistas pelos cinco elementos da sua banda - cada tema fica entregue às ideias e manobras estéticas de um músico.

"Cuidado Paixão (Be Careful, My Love)" e "Eu Estou Aos Prantos (Me Chama Pra Chorar)" colocaram o projecto em marcha nas últimas semanas, mas a variação mais conseguida até agora é bem capaz de ser a que a multi-instrumentista MarthaV ofereceu a "DORME COM ESSA (DELIREI)".

Se o original era dominado por teclados, programações e percussão, a versão de 2021 guia-se por um minimalismo acústico abrilhantado por harmonias vocais, muito longe das reminiscências synth-pop que vincavam o relato de abandono amoroso. E não sai a perder na comparação, além de ser uma bela banda sonora para cenários de tardes de sol à beira-mar, como o do videoclip muito lá de casa (ou da praia) que junta toda a banda:

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