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gonn1000

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Uma canção (e uma actuação) a ter debaixo de olho

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É um dos regressos da semana: os tUnE-yArDs editam o novo álbum esta sexta-feira, 26 de Março, e os primeiros singles soam tão idiossincráticos como os quatro discos anteriores da dupla californiana.

"hold yourself" e "nowhere, man" já tinham sido revelados nos últimos meses e a estes junta-se agora um terceiro avanço para "Sketchy". Inspirado pela experiência do confinamento, "HYPNOTIZED" arranca de forma lacónica, guiado pela percussão, mas ganha fulgor num refrão que faz deste um dos temas mais orelhudos da banda de Merrill Garbus e Nate Brenner.

A vocalista continua em óptima forma e a instrumentação, a aliar piano, baixo ou sintetizadores à bateria que marca o ritmo, volta a conjugar sensibilidade pop e heranças do jazz. O videoclip propõe uma viagem de comboio dentro de casa (o confinamento, lá está), mas o novo single também já se ouviu em palco: a estreia fez-se no programa de Jimmy Kimmel e fez-se em grande, com Garbus e Brenner acompanhados de outros músicos, outras vozes e... uma marioneta. Actuação hipnótica, confere, embora um pouco menos excêntrica do que a da passagem recente pelo talk show de Stephen Colbert:

Amigos improváveis

A Marvel soma e segue com mais uma produção acabada de estrear no Disney+. "O FALCÃO E O SOLDADO DO INVERNO" é a nova minissérie da plataforma de streaming e junta os dois maiores aliados do Capitão América numa aventura partilhada. Mesmo sem Steve Rogers, o arranque gera alguma expectativa...

Sam Wilson e Bucky Barnes.jpg

Os fãs ainda mal tiveram tempo de digerir o final de "WandaVision" e já há mais uma nova saga do Universo Cinematográfico Marvel a arrancar. "O FALCÃO E O SOLDADO DO INVERNO" tem a difícil (mas não impossível) missão de suceder a essa minissérie, uma das adaptações de super-heróis mais populares e elogiadas dos últimos tempos, e não parece trazer tantas cartas na manga para quem procura variações a uma fórmula já testada e muito (demasiado?) implementada.

Mas o facto de ter um arranque mais convencional não implica que esta proposta seja necessariamente mais do mesmo. Sim, os minutos iniciais do primeiro episódio sugerem estar aqui um concentrado de acção, ao servirem uma sequência de perseguição e combate aéreos que não destoaria no grande ecrã, atirando o Falcão (e o espectador com ele) para uma introdução frenética. E se o Soldado do Inverno também tem direito a mostrar o que vale no terreno, em cenas apesar de tudo mais contidas (e em espaços fechados), estes seis episódios parecem apostar mais em descobrir quem são os homens por detrás destes nomes de código do que limitar-se a acompanhá-los no campo de batalha.

Falcão.jpg

Os dois protagonistas, até aqui secundários em filmes dos Capitão América ou dos Vingadores, foram das personagens menos exploradas (e também por isso, das menos interessantes) do Universo Cinematográfico Marvel. Mas agora não só têm tempo e espaço para brilhar como contam com um desenvolvimento promissor no início desta saga conjunta, cuja acção lida directamente com as consequências de "Vingadores: Endgame" (2019).

Sam Wilson/Falcão tenta refazer a vida depois de ter sido "apagado" por Thanos durante cinco anos, regressando às origens e à família em Nova Orleães enquanto se mantém firme em não suceder a Steve Rogers (apesar do voto de confiança deste). Bucky Barnes/Soldado do Inverno, por outro lado, tem dilemas ainda maiores quando não consegue ultrapassar o trauma de uma vida como agente da HYDRA (nem com a culpa, apesar de o ter sido contra a sua vontade).

Embora a dupla conte com uma jornada pessoal no primeiro episódio, o cruzamento dos seus destinos nos próximos não só é inevitável como vai dar seguimento a uma dinâmica que está longe de ter sido das mais amigáveis. Malcolm Spellman, o criador da série (e de "Empire" antes dela), tem falado da influência de vários buddy movies, que ajudará a dar o tom aos próximos capítulos. Para já, "O FALCÃO E O SOLDADO DO INVERNO" sai-se bem a estabelecer tanto dilemas mundanos - das limitações financeiras de Sam aos relacionamentos de Bucky - como ameaças globais - ao colocar em jogo uma nova organização de fanáticos anarquistas que reflecte o clima de teorias da conspiração e de fake news propagadas online.

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Quem procurar uma série de super-heróis mais disruptiva e enigmática, com uma direcção artística primorosa acompanhada de ironia e metalinguagem no enredo, fará melhor em (re)ver "WandaVision" (por muito que o final tenha decepcionado). Mas a nova aposta não deixa de ter um início seguro dentro daquilo a que se propõe, até porque a realizadora, Kari Skogland ("A História de uma Serva", "Vikings"), revela especial sensibilidade para os momentos mais intimistas.

Espera-se que o estudo de personagens e a entrega de Anthony Mackie (Sam Wilson) e Sebastian Stan (Bucky Barnes) não sejam eclipsados pela pirotecnia, como aconteceu com alguns filmes deste universo. Sobretudo porque, além dos protagonistas, "O FALCÃO E O SOLDADO DO INVERNO" também deverá olhar com mais atenção para os regressados Sharon Carter (Emily VanCamp) e Zemo (Daniel Brühl), figuras que se juntam aqui a Joaquin Torres (Danny Ramirez) e John Walker (Wyatt Russell), duas caras novas apresentadas no primeiro episódio (cujos nomes não serão estranhos a muitos fãs destas aventuras na BD). Em todo o caso, teremos sempre "Viúva Negra", já em Maio, ou "Loki", em Junho, entre outras estreias da Fase 4 do Universo Cinematográfico Marvel a aguardar este ano...

O primeiro episódio de "O FALCÃO E O SOLDADO DO INVERNO" está disponível no Disney+ desde 19 de Março. A plataforma de streaming estreia novos episódios todas as sextas-feiras.

Um amanhecer tímido (mas promissor)

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A voz da polaca Iwona Skwarek tornou-se conhecida fora do seu país natal, em meados da década passada, através da dupla Rebeka. Projecto criado com Bartosz Szczęsny, a banda até chegou a fazer parte do catálogo da portuguesa Discotexas, a editora de Luís Clara Gomes (AKA Moullinex), e colaborou com Mirror People, antes de acabar por regressar a casa - onde lançou "Post Dreams" (2019), o disco mais recente.

Enquanto o duo não traz mais novidades, a cantora e multi-instrumentista arrancou 2021 ao lado de uma aventura paralela, esta exclusivamente feminina, composta por mais três elementos - Joanna Bielawska (teclados), Julia Pacyńska (sintetizadores) e Iga Krzysik (guitarra), que também assumem o papel de vocalistas.

As SHYNESS! descrevem-se como quatro mulheres tímidas, embora decididas a arriscar, atitude que explica o ponto de exclamação no nome. E têm como single de estreia o apropriadamente intitulado "NEW DAWN", tema que inicia um caminho promissor assente numa pop electrónica atmosférica e feita de contrastes entre luz e sombra. À falta de uma pista de dança nos tempos que correm, o videoclip propõe uma celebração através de um baptismo de fogo:

Dois singles muito lá de casa

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Autores de um álbum de estreia dominado pelas guitarras (um dos melhores do ano passado, aliás), os SORRY viram-se agora para a exploração electrónica nos primeiros singles desde "925".

Talvez por terem sido criadas em casa, durante o confinamento, as duas novas canções são mais minimalistas e contidas do que algumas das antecessoras (como a apropriadamente intitulada "Perfect"), embora não deixem de lado o nervo nem o embalo rítmico que moldam a música da dupla londrina desde 2017.

"SEPARATE" e "CIGARETTE PACKET" também mantêm a faceta fusionista da banda de Asha Lorenz e Louis O’Bryen, a primeira em territórios meditativos q.b., a segunda com percussão acelerada e ambas a apostar numa vertente experimental, via corta e cola sonoro, inspirada por audições recentes de discos de Micachu and the Shapes ou Arca.

A lógica lo-fi e do it yourself alarga-se aos videoclips, realizados pela Flasha Prod. (que junta a vocalista à colaboradora de longa data Flo Webb), entre desastres subaquáticos de carrinhos (influência assumida de "Crash", de J.G. Ballard) ou grandes planos de bocas e fumo, a reforçar o tom claustrofóbico: