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gonn1000

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

O Verão é quando a pop quiser

Mulu-Letrux-Me-Espera.jpg

"Passei quase dois anos só fazendo planos", canta LETRUX em "ME ESPERA", colaboração com MULÚ inspirada pelas limitações da pandemia. "Quem quer dá sempre um jeito, bora se encontrar", entoa também a brasileira num hino que marca a tentativa de regresso à normalidade depois de confinamentos, adiamentos e encerramentos.

Entre sintetizadores que tanto remetem para a pop electrónica dos anos 80 como para a house francesa dos 90, condimentados com percussão de sabor tropical e alma disco, é um single luminoso, optimista e dançável que celebra o Verão e a evasão - a milhas da melancolia que domina boa parte de "Letrux aos Prantos", o álbum mais recente da cantautora.

A vertente festiva também passa pela remistura de Gaspar Muniz e pelo videoclip, que segue a artista carioca em ambiente estival, com direito a sol e praia, skate e surf e noites bem regadas. Um bálsamo para escapar dos (novos) tempos negros iniciados nos últimos dias, pelo menos durante três ou quatro minutos:

Um regresso em estado de graça

Hercules & Love Affair.jpg

Já passaram cinco anos desde "Omnion" (2017), o último álbum dos HERCULES & LOVE AFFAIR. Mas esta semana houve finalmente a confirmação de um sucessor, e com data anunciada: "In Amber", o quinto longa-duração do projecto de Andy Butler, poderá ser ouvido a partir de 17 de Junho.

Se tanto a altura do lançamento como os ambientes dos antecessores podiam fazer esperar um disco de Verão, à partida direccionado para noites passadas na pista de dança, o alinhamento traz um ponto de viragem, avisa o mentor. Butler refere que as novas canções são inspiradas pelo caos e desconforto dos últimos tempos e não terão muito da celebração e desejo de hinos irresistíveis como "Blind", "You Belong" ou "Painted Eyes".

In Amber.jpg

Mas embora não haja grandes sinais de festa, mantém-se uma guest list relativamente preenchida: ANOHNI volta a colaborar com o nova-iorquino, 14 anos depois do registo de estreia - tanto na voz como na composição e produção de vários temas - e o britânico Budgie (baterista dos Siouxsie and the Banshees e The Creatures), a cantora islandesa Elin Ey e o multi-instrumentista belga Reinhard Vanbergen também responderam à chamada.

"GRACE", o primeiro single, é uma das faixas criadas ao lado de ANOHNI e traz Ey a dividir o protagonismo vocal com o próprio Butler, aqui a revelar uma inesperada faceta de crooner. O resultado, a preferir a melancolia à euforia mais expectável noutros tempos, até está mais perto de territórios dos Tindersticks ou The National do que daquilo a que os HERCULES & LOVE AFFAIR nos habituaram (mesmo que a vertente contemplativa não seja inédita nesta discografia). Ainda assim, o baixo e percussão asseguram um dinamismo rítmico assinalável entre a introspecção do piano e cordas. E vincam aqui um belo regresso, juntamente com um recomeço a acompanhar ao longo dos próximos meses:

O rei vai cru

King Hannah (credit Lucy Mclachlan).jpg

Embora os KING HANNAH sejam de Liverpool, seria legítimo pensar que as origens da dupla de Craig Whittle e Hannah Merrick são norte-americanas.

"Tell Me Your Mind and I'll Tell You Mine" (2000), o EP de estreia do projecto e das apostas recomendáveis da City Slang dos últimos anos, foi um caldeirão de blues implosivo, folk sinuosa e ecos de americana e gótico sulista, com lembranças dos anos 90 segundo uns Mazzy Star e às vezes a recuar mais, até à escola de Bruce Springsteen (evidente em "Bill Tench", a grande canção do disco e também a mais imediata).

Não por acaso, um dos temas que o duo revelou desde essa altura foi uma versão de "State Trooper", a reforçar a herança do 'Boss' nesta música atmosférica, às vezes cinematográfica, que remete frequentemente para cenários áridos e desolados do interior norte-americano.

"I'm Not Sorry, I Was Just Being Me", o primeiro álbum, chega esta sexta-feira, 25 de Fevereiro, e é bem capaz de vir alargar as fronteiras deste universo. "A Well-Made Woman", o single de apresentação, conciliou as raízes norte-americanas com um travo trip-hop. "All Being Fine" deu mais provas da voz magnética de Merrick, novamente envolta numa moldura instrumental densa e psicadélica q.b.. E "BIG BIG BABY", o novo avanço, deixa um embalo serpenteante nascido de blues industrial, não muito longe do que PJ Harvey fazia nos dias de "Rid of Me". É talvez o aperitivo mais convidativo até agora e não perde intensidade ao saltar para o palco, efeito comprovável no segundo vídeo abaixo.

Infelizmente, a digressão europeia, que arranca em Março, não inclui para já datas portuguesas, mas nunca se sabe o que o Verão pode trazer... Por agora, vale a pena aguardar o álbum e (re)descobrir o EP.

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