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gonn1000

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Um single menos duro

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BOY HARSHER em modo luminoso e optimista? "AUTONOMY", o novo single da dupla norte-americana, talvez não chegue a tanto, mas está substancialmente distante da darkwave claustrofóbica através da qual o projecto de Augustus Muller e Jae Matthews se distinguiu.

Colaboração com Cooper B. Handy, cantor e produtor também conhecido como Lucy, que aqui assume o protagonismo vocal, está entre os temas do terceiro álbum do grupo, "The Runner", registo que é simultaneamente a (aconselhável) banda sonora da curta-metragem de terror homónima realizada pelo duo.

"Machina", um dos singles anteriores, já se tinha afastado dos territórios mais reconhecíveis deste percurso, ao oferecer um rebuçado synth-pop com sabor Hi-NRG. "AUTONOMY" não é tão efusiva, embora também recue até inícios da década de 80 com um melodismo orelhudo, assente em teclados e sintetizadores - e deve soar bem ao lado de clássicos da primeira fase dos New Order, OMD ou Depeche Mode.

O videoclip, dirigido pela dupla, alterna entre a tranquilidade de cenários campestres e uma falsa actuação televisiva, com direito a bailarinas, coreografias e até, imagine-se, ao esboçar de sorrisos entre Muller e Matthews lá mais para o final. Surpreendente, de facto:

Tensão pós-milénio (a partir do pós-punk)

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Se "Jackie Down the Line" e sobretudo "I Love You" (canção do ano até agora?) já deixavam no ar que o terceiro álbum dos FONTAINES D.C. pode vir a revelar-se o mais memorável dos irlandeses, o novo single sugere que também será o mais ecléctico.

"SKINTY FIA", a faixa-título do disco, está tão próxima de uns certos anos 90 (Primal Scream ou Stone Roses em ressaca 'Madchester'? Depeche Mode a caminho de "Ultra"?) como da tradição pós-punk da década anterior, a que o quinteto tem sido habitualmente associado. Mas mantém a tensão (pós-milénio) que também faz parte do ADN da banda, aqui em registo mais implosivo a partir de um baixo sinuoso, negrume electrónico de aura industrial/gótica e sabor a noites longas.

A mistura é embalada pelas palavras de Grian Chatten, que vai do lacónico ao assertivo enquanto se passeia, no videoclip, por uma festa concorrida e alucinada q.b. a altas horas. E já faltou mais para festejar o lançamento do ábum: 22 de Abril está quase aí.