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gonn1000

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Duo ele & ele, segundo capítulo

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Além de formarem um casal, Roddy Bottum (teclista dos Faith No More e membro dos Nastie Band e Imperial Teen) e Joey Holman (ex-elemento da banda alternativa cristã Cool Hand Luke) tornaram-se cúmplices de um projecto que ganhou contornos artísticos e profissionais durante o confinamento.

A música que foram criando em conjunto levou ao surgimento dos MAN ON MAN, aventura a dois que se estreou com um álbum homónimo, em 2021, directamente inspirado na sua vida amorosa (e sexual, sem meias palavras), em experiências familiares (ambos perderam as mães no mesmo período) e em olhares muitas vezes críticos sobre a comunidade LGBTQIA+ (com a representação estereotipada de casais de homens gay entre os primeiros alvos).

"Provincetown", segundo disco com edição marcada para 16 de Junho, vem confirmar que esta aliança musical não foi um amor pandémico passageiro e tem mais relatos a partilhar. Gravado na cidade norte-americana que lhe dá título, por esta potenciar a amizade, crescimento e fertilidade criativa, explica o duo nas redes sociais, é um álbum que parte de uma relação cada vez mais estável para explorar questões como a homofobia internalizada, a fronteira entre o carnal e o digital ou formas de activismo sem deixar de lado a celebração do amor e do prazer que já ocupava várias canções do antecessor.

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Essa faceta mais livre, atrevida e espirituosa domina, aliás, o primeiro single, "SHOWGIRLS": "You gotta use spit/ If you wanna get used to it", recomenda a dupla entre um disparo de power pop certeira.

"TAKE IT FROM ME", outra conjugação de guitarras distorcidas e sintetizadores infecciosos, é descrita como uma carta de amor à História Queer e lança farpas ao oportunismo do "pink money" que tem seduzido marcas e empresas nos últimos anos ("Take it from me/ Poppers, disco 1980’s San Francisco", enumeram).

Menos imediata, "HUSH" retoma a esfera conjugal na letra e sublinha as heranças da escola indie rock dos anos 90 na sonoridade: o facto de ter J. Mascis como convidado na guitarra não será coincidência quando muitos riffs do disco de estreia deviam alguma coisa aos Dinosaur Jr. e outros baluartes de uma imensa minoria.

A caminho estão temas como "Piggy", "Haute Couture", "Gloryhole" ou "I Feel Good", cujos títulos sugerem o alargar de interesses de um segundo álbum que não parece ter sido muito difícil - e que pode vir a oferecer um dos oásis entre os lançamentos habitualmente pouco aliciantes do Verão.

Da Irlanda com fulgor

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Enquanto vocalista e compositor dos Fontaines D.C., GRIAN CHATTEN foi peça fundamental de um dos melhores álbuns de rock do ano passado: "Skinty Fia", o terceiro dos irlandeses. Mas já parece ter virado a página desse capítulo, por muito impactante que tenha sido na história da banda.

Colaborações com Kae Tempest ("I Saw a Light") e os Leftfield ("Full Way Round"), nos últimos meses, já tinham sugerido que havia outros caminhos a explorar. E nas últimas semanas, dois singles confirmaram-no ao inaugurarem um percurso a solo. Mas há mais a caminho neste novo começo, uma vez que o disco de estreia em nome próprio, "Chaos for the Fly", foi anunciado para este Verão: chega a 30 de Junho, é produzido pelo cúmplice habitual Dan Carey e promete destinos diferentes daqueles que o seu grupo tem em vista.

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Se "THE SCORE", acesso de contenção electroacústica, parece aceitar sugestões dos dias menos tensos de uns Radiohead, "FAIRLIES" está mais próxima do livro de estilo dos Fontaines D.C., embora não siga tão de perto a escola pós-punk.

"How can life go so slowly and death come so fast?", pergunta o irlandês no segundo tema, entre a companhia do violino, guitarra e piano, apresentando-se como um cantautor que não dispensa alguma sensibilidade pop - o refrão é tão orelhudo como os mais sonantes da sua banda, mesmo que a despedida se faça entre um turbilhão instrumental. A este ritmo, a sua vida, pelo menos a criativa, não parece correr devagar. Esperemos que seja longa e entusiasmante como até aqui...