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gonn1000

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

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ELA É SÓ UMA RAPARIGA

Após ocupar durante anos a função de vocalista dos No Doubt, Gwen Stefani faz um hiato na colaboração com a banda para apostar num projecto paralelo, o seu percurso a solo. “Love.Angel.Music.Baby”, editado em finais de 2004, assinala a estreia em nome próprio, mas embora a cantora não conte aqui com o apoio da banda que a levou à fama recorre a uma vasta lista de colaboradores, onde se incluem Dr. Dre, the Neptunes, Linda Perry, Dallas Austin, Andre 3000 (dos Outkast), Nellee Hooper, Jimmy Jam & Terry Lewis e Tony Kanal (dos No Doubt).

Dando continuidade à ecléctica vertente fusionista presente no mais recente álbum dos No Doubt, “RockSteady”, Gwen Stefani apresenta um combinado de power pop, funk, new wave, hip hop, electro e R&B, enveredando por atmosferas sonoras geralmente dinâmicas e dançáveis.

Com uma produção minuciosa e sofisticada – outra coisa não seria de esperar tendo em conta a lista de colaboradores -, “Love.Angel.Music.Baby” não é tão sólido na composição, uma vez que o nível qualitativo das canções é tão desigual como os dos discos da banda da cantora.

Se por um lado a maioria dos temas são acessíveis, imediatos e facilmente trauteáveis, raros são os que ultrapassam a mera competência industrial e menos ainda os que deixam transparecer alguma substância por detrás do cuidado trabalho de maquilhagem, que tenta esconder os desequilíbrios da limitada voz de Stefani e das letras algo irrelevantes (embora tentem ser fashion, nomeadamente através de recorrentes referências japonesas ou à cultura urbana).

Outro problema é o facto de “Love.Angel.Music.Baby” ser um álbum que, ao tentar ser diversificado, acaba por se tornar demasiado fragmentado, e exibe mais os traços característicos dos colaboradores do que propriamente os da cantora, que não consegue definir aqui uma linguagem própria e vincada.
Assim, entre batidas hip-hop e sintetizadores de travo electropop, o disco resulta num trabalho algo indeciso, gerando um melting pot irregular que se aproxima de Madonna (a influência mais óbvia), New Order (que recusaram uma propsta de colaboração no disco), Missy Elliot, Garbage, Prince ou Blondie, mas com a desvantagem de, ao contrário dessas referências, não apresentar nada de novo.

Nem muito inspirada nem desastrosa, a estreia de Gwen Stefani a solo proporciona alguns bons momentos quando percorre sonoridades marcadas pelos anos 80, como em "Crash", “The Real Thing”, “Serious” ou “The Danger Zone” (provavelmente o ponto alto), mas não é tão interessante quando se aproveita dos clichés do R&B actual como em "Luxurious" ou nos cansativos singles “Rich Girl” ou “Hollaback Girl”.

Não resultando como um todo, mas ainda assim convencendo a espaços, “Love.Angel.Music.Baby” é um agradável - mas longe de irresistível - party album, que não chega ao nível dos discos de Madonna (embora tente) mas consegue ser mais entusiasmante do que os de outras figuras da pop mainstream apadrinhadas pela MTV, como Britney Spears, Pink ou Jennifer Lopez. Uma estreia curiosa a merecer algumas audições, de preferência em ambientes festivos.

E O VEREDICTO É: 2,5/5 - RAZOÁVEL

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