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gonn1000

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Noite de Inverno com pop de sabor a Verão

E se, de repente, uma fria noite de Inverno desse lugar a um pacato entardecer de Verão? No seu concerto de ontem na Aula Magna, os suecos Shout Out Louds quase fizeram crer que Lisboa tinha de facto passado subitamente por uma mudança de estação, tal foi a eficácia da sua pop calorosa e aconchegante.

 

Já tinham passado por Portugal discretamente, há dois anos, durante o festival Paredes de Coura, mas de então para cá a banda não só editou um novo disco, o recente "Our It Wills", como viu a sua popularidade crescer através do single "Tonight I Have to Leave It", que tem tocado um pouco por todo o lado por ser a banda-sonora de uma campanha de telecomunicações.

 

 

Ontem, na Aula Magna, contrariaram quem porventura tivesse a tentação de os catalogar como one hit wonders, já que presentearam a muito concorrida sala de espectáculos (quase cheia) com uma série de canções que nada ficaram a dever ao seu tema mais popular, ainda que esse tinha sido o que despertou uma resposta mais forte na maioria do público.

 

Incidindo sobretudo no seu segundo disco, editado em 2007, e por vezes recordando momentos do primeiro, "Howl Howl Gaff Gaff" (2005), o quinteto escandinavo não trouxe consigo o frio e antes apresentou um concerto com tons de Sol e maresia, onde as canções geraram pequenos oásis indie pop.

O exemplo mais marcante terá sido "Impossible", talvez a sua melhor canção, que ao vivo reforçou os tons calipso e fez valer a força e encanto de arranjos apurados aliados a um refrão contagiante.

 

 

 

Enérgicos mas sóbrios, evidenciaram uma coesão que impôs um ritmo envolvente à sucessão de canções trauteáveis, por isso não foi de estranhar que pelo final do espectáculo fossem muitos os espectadores a dançar ou a condimentar as melodias com palmas.

 

Afáveis e humildes, os elementos da banda dirigiram-se ao auditório durante as brevíssimas pausas entre os temas embora tenham fugido aos "obrigados" da praxe, substituíndo-os pela bem recebida referência a Portugal em "Your Parents' Living Room".

"The Comeback", "Please Please Please" ou, a fechar, o belo "Hard Rain" foram outros momentos a registar e provaram que, ainda que sejam agradáveis em disco, os Shout Out Louds são mais convincentes ao vivo - e até se perdoa a proximidade vocal de Adam Olenius a Robert Smith (The Cure).

Infelizmente nada dura para sempre e o concerto do grupo de Estocolmo durou mesmo muito pouco, mal atingindo uma hora, por isso espera-se um regresso a palcos nacionais que permita compensar este desfecho demasiado apressado.

 

 

 

Antes dos suecos a noite arrancou com Rita Redshoes e a sua banda, que levaram a palco as canções de "Golden Era", o seu disco de estreia que muitos consideram um dos mais promissores da música que se faz por cá.

A ex-vocalista dos extintos Atomic Bees actuou durante quase uma hora (praticamente tanto tempo como os Shout Out Louds) numa competentíssima primeira parte, conquistando de imediato o público que de resto já se encontrava familiarizado com a maioria dos temas.

O radiofriendly "Hey Tom" foi o momento mais aplaudido e no final a cantautora chegou mesmo a regressar para um inesperado encore com uma cover de "Lonesome Town", de Ricky Nelson.

 

Ainda que nem sempre tenha conseguido afastar-se de referências óbvias - Aimee Mann, Tori Amos, Feist -, Rita Redshoes deixou uma prova de talento num acolhedor início de noite, muito acima de um habitual compasso de espera até à chegada da banda principal.

 

 

 

Shout Out Louds - "Impossible"

2 comentários

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    gonn1000 28.03.2008 22:12

    É comparável mas ainda assim consegue sobreviver às influências. Ainda não ouvi o disco mas ao vivo fiquei com boa impressão.
    Abraço
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