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gonn1000

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Em directo para a gravação

Os Rádio Macau são dos nomes mais respeitáveis e veteranos do rock nacional embora nunca tenham sido dos mais prolíficos, deixando vários anos de intervalo entre a edição de cada novo registo.

Com "Oito" não foi diferente, uma vez que o álbum surge cinco anos depois de "Acordar" e revela um grupo mais polido e discreto, longe das arestas rock dos primeiros tempos ou do experimentalismo electrónico encetado em "Onde o Tempo Faz a Curva".

 

No espectáculo de ontem no MusicBox, começaram por seguir o alinhamento do disco, arrancando com as plácidas "Levo-me no Voo das Minhas Asas" e o single "Cantiga de Amor", e enveredando depois por territórios mais dinâmicos (e estimulantes) em "Entre as Memórias e o Sonho", talvez a melhor canção do álbum.

 

 

 

Desde logo demonstraram a coesão os torna numa das bandas nacionais mais eficazes em palco, ainda que nos momentos seguintes o ritmo tenha desacelerado em temas como "Os Sonhos Impossíveis" ou "Uma Estrela Peregrina", momentos menos conseguidos por apostarem numa previsível fórmula midtempo.

 

Infelizmente, o cenário não melhorou muito quando convidaram para o palco a dupla The Guys From the Caravan, cujo álbum de estreia será editado em Setembro, e que se juntaram à banda para cantarem "Quando Uma Rosa Morre" e "Este Frio Da Manhã". A colaboração resumiu-se, contudo, a umas muito discretas backing vocals, que pouco efeito tiveram em duas canções que dificilmente constam entre as mais inspiradas dos Rádio Macau.

 

 

 

Em compensação, a recta final do espectáculo serviu alguns dos melhores temas de "Oito", que não por acaso são aqueles em que a banda se afasta de um registo próximo da balada. "Quando Entro Nos Teus Olhos" reforçou a intensidade já sugerida em disco, terminando com um clímax que convidou à explosão de guitarras, muito bem-vinda depois do tom excessivamente apaziguado das canções anteriores.

 

"Por Linhas Tortas", de embalo pós-punk, manteve uma vibração semelhante mas mais dançável, e "Este Macau Que Não Dorme" acalmou esta descarga com ambientes mais introspectivos, confirmando-se como o mais cativante dos muitos momentos calmos de "Oito".

 

 

 

Já no encore, revisitaram "Sempre Mais", de "Acordar" - embora não destoasse no novo disco -, e repetiram "Por Linhas Tortas", já que quando a tocaram antes não ficou nas melhores condições técnicas para a gravação.

Nada que tenha incomodado muito o público, que aproveitou uma das poucas ocasiões para dançar, ainda que também o tenha feito na revisitação do clássico "Amanhã É Sempre Longe Demais", momento em que Xana virou o microfone para os espectadores, que a acompanharam no refrão.

 

Não terá sido dos concertos mais memoráveis dos Rádio Macau, tanto pela duração - pouco mais de uma hora, o que soube a pouco -, como sobretudo pelos temas escolhidos - não seria mal pensado incluir mais temas antigos -, ainda que esta competência que só a espaços arrebata também esteja de acordo com o que se pode encontrar em "Oito". A coerência não ficou, então, comprometida, mas deixou vontade de ver o grupo num espectáculo de maior fôlego.

 

 

 

Rádio Macau - "Cantiga de Amor"

 

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