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gonn1000

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

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The Ting Tings: É esse o nome deles

Destronaram Madonna do top britânico, uma das suas canções é banda-sonora de um anúncio da Apple e têm videoclips com alta rotação na MTV.

Nada mal para uma nova banda cujos membros nunca tinham dado muito nas vistas nos projectos musicais anteriores.

 

"We Started Nothing" surgiu de repente e com ele os britânicos Ting Tings arriscam-se a ter nas mãos o disco mais apropriado para as tardes (e noites) deste Verão.

 

 

Quando, há uns anos, Katie White tentava a sua sorte como um dos membros da girl band TKO - cujo feito máximo foi fazer as primeiras partes dos Five ou Step - e Jules De Martino apostava no mesmo com os mais indie, mas igualmente infrutíferos Mojo Pin, dificilmente suspeitariam que viriam a conseguir disseminar uma série de hits de forma tão fulminante como tem ocorrido com os singles dos Ting Tings.

 

Projecto nascido das cinzas dos Dear Eskiimo, que deu nome à efémera primeira parceria da dupla, este recomeço tem em "We Started Nothing" um interessante e muito eficaz cruzamento de sensibilidade pop com uma não menos apurada atitude indie, que como o título indica não cria nada de novo mas é hábil na digestão e mistura de influências.

 

"Great DJ" atirou-os para o mediatismo e percebe-se porquê, já que funciona muito bem enquanto pastilha elástica de três minutos, com um dos refrões mais orelhudos dos últimos tempos e um ritmo simples e repetitivo, mas irresistível.

 

 

 

Ainda mais repetitiva e trauteável é "That's Not My Name", onde Katie White adopta uma postura riot grrrl - embora bem mais polida do que as referências do género - numa canção que vai crescendo de intensidade à medida que as suas palavras de ordem acolhem camadas melódicas.

 

Não por acaso, estes dois temas são logo os primeiros do alinhamento do álbum, e se é verdade que impõem um nível que não tem continuidade nos seguintes, também não é por isso que "We Started Nothing" deixa de ser uma estreia auspiciosa.

 

Há quem acuse aqui um disco oportunista, que mais não faz do que seguir uma tendência desenhada com maior espontaneidade por outros, mas quando a dupla se mostra tão despretensiosa e faz de momentos como "Shut Up and Let Me Go" uma conseguida amálgama dos Cansei de Ser Sexy com os New Young Pony Club, qual é o problema?

 

 

 

Admita-se que não haverá aqui uma personalidade muito delineada, já que a discreta balada twee "Traffic Light" remete para os primeiros dias dos Cardigans, a faixa-título lembra a aridez e despojamento de PJ Harvey, "Keep Your Head" não anda longe da pop delicodoce dos Wannadies e o disco transpira uma aura festiva comparável tanto à new wave dos B-52's como à coolness urbana das Luscious Jackson.

 

Felizmente, as semelhanças com esses nomes não são decalcadas ao ponto de comprometerem o resultado geral e "We Started Nothing" resulta ainda num disco fresco, directo, lúdico e convidativo, com pontuais fugas para uma melancolia envolvente - como no piano, marcha e sussurros de "We Walk" - ou para o experimentalismo onde a pop bem confeccionada não deixa de ter prioridade - caso do delicioso devaneio "Impacilla Carpisung". Quantos álbuns, sobretudo com o mesmo nível de mediatismo, podem orgulhar-se disso?

 

 

 

The Ting Tings - "Shut Up and Let Me Go"

 

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