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gonn1000

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

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Regresso aos sons e cores de Kelis

Num contexto pop/R&B onde muitas das cantoras mais não são do que clones umas das outras, Kelis impõe-se sem dificuldades como uma das poucas que conseguiu, ao longo da sua já considerável discografia, expressar uma postura única.

 

Quase sempre auxiliada por produtores recomendáveis - com destaque para os Neptunes, os mais habituais -, definiu em quatro álbuns uma identidade que, para melhor ou para pior, não corre o risco de se confundir com a de outros nomes do género.

Infelizmente, embora a estreia com "Kaleidoscope" (1999) tenha sido refrescante e promissora q.b., não teve continuidade à altura nos álbuns seguintes, sucessores interessantes mas que só a espaços justificaram maiores atenções.

 

 

O quarto, "Kelis Was Here" (2006), denunciou mais do qualquer outro uma óbvia indecisão quanto aos rumos a seguir, disparando em várias direcções com canções que poderiam ser lados-b.

 

Uma compilação como a recente "The Hits" acaba, por isso, por fazer todo o sentido, juntando no mesmo disco os seus singles, que neste caso foram mesmo os momentos mais apelativos dos álbuns.

Além de Kelis, há aqui espaço para uma série de convidados ilustres tanto na produção como na interpretação, e o resultado é geralmente aliciante. Não falta sequer "Got Your Money", tema que a cantora gravou com Ol' Dirty Bastard antes de "Kaleidoscope", que não passa despercebido entre escolhas óbvias como o manifesto feminista "Caught Out There" ou, no extremo oposto, as ondulações insinuantes de "Milkshake".

 

 

 

Razoavelmente ecléctico, "The Hits" tanto oferece explosões de cor como "Young Fresh N' New", com um loop viciante serviço pelos Neptunes, como concentrados de eficácia dançável ao nível de "Trick Me" ou "Good Stuff", este último com uma invejável carga contagiante.

 

Mesmo as baladas, em vários casos o ponto fraco da concorrência, são aqui muito pouco lacrimejantes. No seu pior resultam indiferentes, como a colaboração com Cee-lo em "Lil Star", e em "Get Along With You" e "Suspended" aliam sofisticação na produção à emotividade controlada que a voz de Kelis é capaz de expressar.

 

Já "In Public" mantém o ritmo calmo mas irradia uma contínua provocação entre a cantora e Nas, num crescendo de intensidade comparável ao de outra colaboração da dupla, "Blindfold Me", que infelizmente ficou de fora de "The Hits". Ambas fariam corar de vergonha "Promiscuous", de Nelly Furtado e Timbaland.

 

 

 

Outra parceria bem-sucedida é com Richard X, cujas camadas electrónicas concedem uma convidativa pulsão dançável a "Finest Dreams" - não muito longe da aliança entre Kelis e Timo Maas em "Help Me", mais uma ausência do disco a lamentar.

Andre 3000 partilha o protagonismo de "Millionaire", um dos melhores momentos de "Tasty" (2003), que faz pedir mais colaborações com os Outkast e a inclusão em "The Hits" de "Dracula's Wedding", canção onde a cantora divide espaço com a dupla.

 

Embora saísse a ganhar com a inclusão de mais três ou quatro temas (e mesmo alguns inéditos), os 14 incluídos na compilação permitem conhecer de facto o melhor que Kelis fez até agora, onde a imediatez da maioria não implica falta de risco.

Espera-se que, após este aparente finalizar de uma primeira fase, a cantora regresse em forma e continue a oferecer momentos à altura dos que se ouvem por aqui.

 

 

 

Kelis - "Good Stuff"

 

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