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gonn1000

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Melodias com neons numa actuação ofuscante

"In Ghost Colours", o mais recente disco dos Cut Copy, editado este ano, tem tornado o trio australiano em alvo de uma atenção muito mais forte do que a que teve há quatro anos, na altura do lançamento do seu registo de estreia, "Bright Like Neon Love".

 

E é merecida, não só porque as novas canções do grupo são melhores (embora as mais antigas estejam longe de envergonhar alguém), mas porque esta foi uma das bandas precursoras da aliança entre guitarras e electrónica que tem guiado alguns dos mais estimulantes novos projectos de berço na Oceania - dos Presets a Ladyhawke, passando pelos Muscles, Midnight Juggernauts ou Van She.

 

 

Nos últimos tempos, singles como "Lights & Music" ou "Hearts on Fire" têm tido considerável rotação em muitas pistas de dança, elemento que quando adicionado à boa reputação de que os Cut Copy gozam pela estreia auspiciosa em palcos portugueses (na mais recente edição do festival do Sudoeste) tornou para muitos o concerto no Lux, na passada quinta-feira, num evento a não perder - e que não demorou a esgotar.

 

Felizmente, mesmo as melhores expectativas não terão sido defraudadas, já que a actuação superou a anterior em duração e intensidade e proporcionou cerca de uma hora de boa disposição contagiante.

Desfile de grandes canções orgulhosamente pop (embora de considerável travo indie), o alinhamento apostou numa criteriosa escolha dos melhores temas dos dois discos do grupo e gerou um concerto de uma coesão inatacável, praticamente sem quebras de ritmo.

 

 

O arranque, com "Nobody Lost, Nobody Found", foi logo um ponto alto, superado de seguida por uma das melhores pérolas de "In Ghost Colours", "Far Away", um dos mais orelhudos singles do ano.

Mas as restantes canções da actuação ofereceram quase sempre competição à altura, ainda que as do segundo disco tenham sido acolhidas de forma mais efusiva pela maioria do público - e bastante física, com direito a pulos frenéticos, palmas ao ritmo das canções ou braços no ar.

 

"Lights & Music" constou, como se esperava, entre os episódios mais delirantes, e o título dessa canção foi emblemático do cenário que os Cut Copy conseguiram criar: um absorvente espectáculo de luz e cor, onde um arco íris mutante irradiou do ecrã ao fundo do palco e interligou-se na perfeição com as igualmente cativantes melodias de temas como "Feel the Love", "Time Stands Still" ou "Strangers in the Wind".

 

 

Apesar de uma noite de quinta-feira não ser das mais apropriadas para festas, uma canção como "Saturdays" motivou uma explosão de hedonismo comparável às de sábado (sobretudo num final mais pujante do que a versão do álbum), "A Dream" também foi alvo de um crescendo surpreendente e "Future" surgiu também num novo formato, mais atmosférico e hipnótico (mesmo que nao tenha despertado uma reacção tão visível em muitos espectadores).

 

Outro momento notável - mais um de muitos -, "Out There in the Ice" quase tornou o concerto numa rave incendiária, com uma pulsão rítmica fulgurante, talvez superada somente no encore. Este contou apenas com "Hearts on Fire", uma canção que valeu por muitas ao fechar de forma apoteótica uma actuação invejável, com grande parte do público a gritar o refrão enquanto saltou como se não pudesse ir a mais concertos nos próximos meses.

 

No final, tanto o público como os Cut Copy - sempre simpáticos e com vários incentivos ao longo do concerto - pareceram gratos pelo espectáculo, e não foi caso para menos já que a comunhão de ambos fez deste um dos mais vibrantes do ano. Espera-se que possam repetir-se por muitos mais.

 

 

 

Cut Copy - "Hearts on Fire"

 

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