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Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Dançar e correr

O conceito é interessante e introduz em Portugal um modelo presente, por exemplo, no festival norte-americano South by Southwest, em Austin. Ou seja, o de proporcionar, na mesma noite, vários concertos em cinco espaços - Cinema São Jorge (duas salas), Teatro Tivoli, Teatro Variedades e Cabaret Maxime -, muitos deles a decorrer em simultâneo.

 

Se por um lado esta oferta pode gerar um cardápio sonoro ecléctico, com nomes para quase todos os gostos, também torna impossível acompanhar tudo na primeira edição do Super Bock em Stock, limitando a duração dos concertos (embora isso já seja habitual em festivais) e, mais grave, impedindo que alguns espectadores consigam lugar nos espectáculos mais concorridos, mesmo que sejam pontuais - como ocorreu logo num dos primeiros, o de Ladyhawke.

 

 

Mas apesar destas atribulações, que de resto já se previam, a estreia do festival parece ter compensado, até porque os artistas convocados não desiludiram.

Santogold, talvez a mais aguardada deste primeiro dia, foi também a mais concorrida e justificou as atenções. A festa começou mesmo antes de Santi White, o seu nome de origem, entrar em palco, já que o seu DJ aqueceu a multidão que encheu o Tivoli com uma amálgama sonora que sugeriu bem o que se seguiria.

 

Entre misturas de temas dos Smiths, Prodigy ou Police, fez com que a maioria se levantasse das cadeiras para acolher, já com o entusiasmo em alta, a cantora de Filadélfia residente em Brooklyn e duas bailarinas.

Apresentando pela primeira vez em Portugal as canções do seu disco de estreia homónimo - um dos mais aclamados do ano -, promoveu uma viagem de géneros que tanto pisou a new wave como o dub, o rock ou o hip-hop, quase sempre com um embalo electrónico ora tribal ora urbano.

 

 

"You'll Find a Way", a abrir, numa versão remisturada e mais caótica, foi o rastilho para uma hora que soube a pouco mas nunca perdeu a consistência. A pérola pop "L.E.S. Artistes" conviveu bem com momentos mais sombrios e nervosos como "Anne" ou uma óptima e absorvente "Starstruck".

 

"Lights Out" surgiu de forma quase irreconhecível num mashup com Panda Bear e os Clash foram revisitados numa versão de "Guns of Brixton", que Santogold gravou com Diplo. Além desta, houve ainda tempo para outra canção que não consta do alinhamento do disco, "Icarus", e no final as despedidas ficaram a cargo de "Creator", um dos raros temas em que as frequentes comparações com M.I.A. fazem sentido.

No arranque deste, a cantora convidou o público a subir a palco, repto aceite por cerca de uma dezena de adolescentes para quem a noite terá sido ainda mais memorável.

 

 

No final, era difícil não ter ficado contagiado pela boa disposição e atitude de uma das promessas do ano, que terá carta branca para regressar a salas nacionais - mesmo que de concerto o seu espectáculo tenha tido pouco, já que não contou com quaisquer músicos em palco.

 

Pouco antes, outra promessa feminina de 2008 deixou também boa impressão na Sala 1 do São Jorge, e com adesão considerável. A neo-zelandesa Phillipa Brown, mais conhecida como Ladyhawke, apresentou a sua pop electrónica de forte travo anos 80 em cerca de quarenta minutos que também souberam a pouco, ainda que tenham sido suficientes para comprovar a validade do seu projecto ao vivo.

 

Acompanhada por três músicos, a cantora (e guitarrista) não foi tão expressiva como Santogold mas essa relativa discrição em nada comprometeu a eficácia da actuação.

 

 

De resto, seria difícil falhar quando se tem um alinhamento repleto de singles em potência como "Magic", "Manipulating Woman" ou "Professional Suicide", e outros que já o são e animam frequentemente várias pistas de dança - sobretudo "Paris is Burning" ou "Back of the Van".

 

Mais uma boa boa aposta da Modular Records - casa de pop electrónica recomendável que alberga também os Cut Copy, Presets ou Van She -, Ladyhawke não conseguiu fazer com que muitos se levantassem das cadeiras para dançar nem impedir que se avistasse uma considerável saída de espectadores da sala após 20 minutos - a maioria na tentativa de garantir lugar para Santogold -, mas fica como um nome a rever noutro espaço, mais condizente com a sua música, para que a festa possa ser melhor aproveitada.

 

 

Sem problemas de espaço - a ausência de cadeiras jogou a seu favor - e com maior carga festiva, Os Pontos Negros actuaram poucos minutos depois na Sala 2 do São Jorge.

As canções do recente "Magnífico Material Inútil", o disco de estreia do jovem quarteto de Queluz, foram o mote para um concerto que acolheu ainda outros temas, casos de "Inês" ou "Salomé".

 

O seu entusiasmo e entrega foram bem acolhidos por um público que a banda sabe já incentivar, e foi pena que também aqui nem todos os espectadores tenham ficado até ao final - dificilmente por culpa do grupo, mas como este pode ser visto noutros palcos nacionais em breve compreende-se que não tenha sido uma prioridade para alguns.

 

Hoje, no segundo e último dia desta primeira edição do Super Bock em Stock, a correria entre salas promete continuar e espera-se que a média de bons concertos também.

 

Ladyhawke

Os Pontos Negros (primeiros 25 minutos)

Santogold

 

 

Ladyhawke - "Back of the Van"

 

 

Santogold - "L.E.S. Artistes"

 

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