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Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Da Suécia com amor

Após um primeiro dia especialmente concorrido no concerto de Santogold, no segundo e último o Super Bock em Stock contou com maior adesão nos espectáculos de Lykke Li, Marcelo Camelo e The Walkmen.

Tal como na véspera, as salas do Cinema São Jorge, Teatro Tivoli, Cabaret Maxime e Teatro Variedades voltaram a somar mais de dez concertos ao longo de uma noite onde a escolha do que ver e ouvir nem sempre foi fácil para os cerca de 5000 espectadores do evento.

 

O seu disco de estreia, "Youth Novels", é uma das melhores surpresas da pop sueca deste ano, e ao vivo Lykke Li conseguiu manter o apelo das suas canções simples e directas. Acolhida por um Teatro Variedades repleto, a jovem cantora e a sua banda - um baterista, um pianista e um guitarrista - mostraram ontem um dinamismo que raramente se manifesta num álbum relativamente discreto e intimista.

 

 

Após uma introdução com o início de "Melodies & Desires" (também o primeiro tema do disco), Li entrou repentinamente em palco com a canção cujo título trouxe as palavras de ordem para o resto da actuação: "Dance, Dance, Dance".

 

E o público dançou, à semelhança da banda, e assim se manteve nos momentos iniciais por onde passou também o single "I'm Good, I'm Gone", belo cartão de apresentação que grande parte dos espectadores demonstrou conhecer.

Com uma atitude féerica, Li não só cantou como tocou um dos pratos da bateria enquanto se deixou contagiar pelo embalo rítmico das canções.

As tréguas chegaram quando chamou a palco a conterrânea Sarah Assbring, que o público conhece por El Perro del Mar, para colaboração em "Hanging High" e "My Love", mais tranquilas e até algo mornas depois de um arranque tão acelerado.

 

 

Mas bonitas, ainda assim, e exemplos de um eclectismo que teve continuidade nos momentos seguintes, nomeadamente em canções que deram maior protagonismo à electrónica - na geométrica e repetitiva "Complaint Department" ou na inesperada "Until We Bleed", uma quase-canção de embalar atmosférica incluída no disco de estreia homónimo do produtor Kleerup, onde a cantora participa.

 

Ao longo de uma hora, a sua voz algo infantil foi acompanhada por uma postura a condizer, ora espevitada e irriquieta, nos episódios mais dançáveis, ora tímida e recatada, nos mais contidos, onde se destacou um olhar inocente capaz de despedaçar corações – evidente nas encantatórias “Little Bit” e “Time Flies”.

Mas só para os aquecer logo de seguida, como ocorreu no encore, que fechou com um imprevisível dois em um: “Can I Kick It?”, dos A Tribe Called Quest, combinado com “Walk on the Wild Side”, de Lou Reed, a provar que afinal a ponte entre o hip-hop e a folk pode ser curta.

 

 

Foi um belo momento de antologia, ainda melhor do que quando convidou alguns espectadores a subir a palco ou incitou todos a uma chuva de palminhas para acompanhar a orelhuda “Breaking It Up”. “I’m Good. I’m Gone” podia ser o posfácio do concerto, mas espera-se que não seja definitivo, porque depois de um espectáculo destes as “Youth Novels” de Li precisam de uma continuação à altura.

 

Integrados na selecção de promissores praticantes de rock em português, os peixe : avião levaram à sala 2 do São Jorge alguns temas do seu disco de estreia, o recente “40.02”. E se nos últimos minutos viram o seu público sair para garantir lugar no concerto dos Walkmen ou dos Deolinda, durante a maior parte da meia hora de actuação foram acompanhados com interesse e aplausos regulares.

 

 

E merecidamente, até porque é em palco que as suas canções resultam melhor e o jovem grupo bracarense revelou coesão e segurança. Tal como o álbum, o espectáculo poderia ser mais sedutor caso apostasse mais em momentos de descarga do que em episódios contemplativos e demasiado cerebrais, mas canções do nível do single “A Espera é um Arame”, “Frio Bafio” (com direito a um pujante final em crescendo) ou “Nortada” ajudaram a tornar o balanço positivo. Uma banda a acompanhar e a confirmar noutros palcos.

 

Seguramente entre os nomes mais aguardados do festival, até porque o seu novo disco, “You & Me”, tem sido alvo de aclamação quase unânime, os Walkmen levaram muitos a preencher a sala do Tivoli para uma hora de indie rock. Mas pouco refrescante, contudo, já que raramente se distanciou de atmosferas entre o melancólico e o dolente, com um ou outro episódio mais efusivo.

 

 

É certo que o grupo nova-iorquino foi sempre coeso e competente e que o alinhamento ofereceu algumas canções a reter, mas ao fim de uma hora o tom monocórdico de Hamilton Leithauser, a sonoridade algo genérica de grande parte dos temas ou a própria falta de supresas nos contactos com o público tornaram a actuação numa experiência algo distante e até sonolenta.

 

Por cada acorde ou palavra que parecia mudar o cenário surgiam dois ou três que voltavam a atirar o concerto para uma sucessão de canções onde o clássico parece equivaler a empoeirado e o profissional à ausência de arrojo.

Mas talvez fosse exactamente isto que muitos esperavam, a julgar pela forte adesão de uma larga faixa de espectadores (sobretudo os mais velhos), mesmo que a segunda metade da actuação tenha registado consideráveis desistências.

 

Lykke Li

peixe : avião

The Walkmen

 

 

Lykke Li - "I'm Good. I'm Gone"

 

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