Os encantos da pop adolescente (e sueca)
Não surpreendeu mas também não desiludiu. Foi praticamente aquilo que se esperava, o que neste caso foi bom.
Na sua estreia em palcos nacionais, ontem no Santiago Alquimista em Lisboa, as suecas Those Dancing Days saíram-se bem na apresentação do seu primeiro álbum, "In Our Space Hero Suits" (2008), conjunto de vitaminas pop curtas e aceleradas que satisfazem em disco e resultam melhor num palco.
Mesmo assim a sua eficácia foi variável ao longo do breve concerto - 45 minutos que passaram a correr -, já que no início o jovem quinteto assumiu uma atitude algo contida que seria contrariada nos momentos finais.

A simplicidade das suas canções, lineares e com refrão que não demora a tornar-se catchy, tem contraponto na postura e imagem que adopta, cândida e ingénua q.b., ainda que com uma certa rebeldia nas entrelinhas - sugerida pelos vestidos e calções curtos, pelo decote quase insinuante da vocalista ou pelos acessos saltitantes que contudo não chegaram ao desvario.
Com uma identidade ainda em construção, a música das Those Dancing Days peca pela escassa diversidade das suas composições, onde o ritmo é geralmente upbeat (embora as letras nem sempre sejam tão optimistas), e que de resto foi evidente num concerto que ganharia com mais eclectismo.

De qualquer forma a sensibilidade pop da banda é inegável, pois por cada canção em estado embrionário há duas com melodias irresistíveis - os pontos altos do álbum foram também os do espectáculo, desde a melancolia calorosa de "Hitten" ao entusiasmo de "Run Run", não esquecendo a deliciosa carga festiva de "Those Dancing Days" ou a densidade de "Space Hero Suits" (um dos temas menos imediatos e o único que ultrapassa os três minutos e pouco).
Além da tradicional combinação de guitarra, baixo e bateria (esta última defendida de forma excelente por Cissi Efraimsson), as canções do grupo assentam na determinante presença do orgão, na origem de algumas das melhores linhas melódicas, e na noite de ontem a pandeireta e o xilofone ajudaram a consolidar a simpatia da actuação.

Mas os teclados Hammond foram mesmo o elemento mais apelativo, como se ouviu na interessante versão de "Toxic", de Britney Spears, onde substituiram - e muito bem - as cordas que dominam o modelo original do tema.
Já para não falar, claro, da óptima voz de Linnea Jönsson, cuja garra e intensidade a separam de qualquer estrela pop genérica.
Quando essa canção chegou, no primeiro encore, já a hesitação inicial da banda tinha dado lugar a uma atitude mais confiante e efusiva, que obteve correspondência na dedicação de um número considerável de espectadores (mesmo que a sala tenha estado longe de esgotar).

"Tasty Boy", o único tema do segundo e último encore (canção do EP homónimo da banda, de 2007), acentuou essa pose enérgica e, por momentos, as Those Dancing Days pareceram resgatar não o encanto dos girl groups de 60 mas a vibração das riot grrrls de 90.
"You taste like craudberry ice cream, soft and smooth", repetida incessantemente, não foi propriamente uma frase de revolta, mas deixou clara a força da pop delicodoce de uma banda promissora. Este sábado a química promete repetir-se no Theatro Circo, em Braga.

Those Dancing Days - "Hitten"