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gonn1000

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Fantasias desiguais

Os dois primeiros singles de "Fantasies" mostraram os Metric no seu melhor. Tanto "Help I'm Alive" como "Gimme Sympathy" são óptimos exemplos de pop imediata e contagiante, nascida de um feliz encontro entre a bela voz de Emily Haines e uma pulsão rítmica certeira.

 

Estas qualidades encontram-se, aliás, em quase todos os singles anteriores da banda radicada no Canadá, e tornam um eventual best of numa compilação especialmente desejável.

 

 

Mas se essas duas canções são auspiciosas, acabam por não ser muito representativas do que pode encontrar-se no quarto disco do grupo, já que figuram entre os pontos altos de um alinhamento desigual.

Também aqui há sinais de contacto com episódios anteriores do quarteto, pois embora todos os seus álbuns sejam recomendáveis raramente oferecem temas tão fortes como os singles.

 

"Fantasies" ainda não é, então, o grande disco que os Metric ameaçam criar, sobretudo depois de um antecessor tão conseguido como "Live It Out" (2005), talvez o seu álbum mais coeso.

Mas tal como qualquer registo da banda, oferece uma apelativa combinação de power pop com momentos mais introspectivos, numa colecção de canções que tanto deve a referências new wave como a escolas indie.

 

 

Do convívio de guitarras, sintetizadores e teclados - estes últimos cada vez mais determinantes - surgem temas que, talvez como nunca antes, sugerem que os Metric apontam directamente às rádios e aos estádios, naquele que é o seu disco mais polido e acessível.

Um tema intitulado "Stadium Love", com um refrão tão orelhudo como os dos The Sounds, atesta esta tentativa de aproximação ao grande público, a que o grupo ainda não conseguiu chegar com grande impacto fora do Canadá - embora as suas canções constem em bandas-sonoras de alguns filmes e séries (como "Anatomia de Grey" ou "C.S.I. Miami").

 

Mesmo nos episódios mais intempestivos, como "Front Row", a produção não deixa de ser radiofriendly, com letras prontas a serem trauteadas e melodias que podem facilmente ter palmas como companhia.

 

 

E se não era nada mau que estas canções ganhassem espaço nas habitualmente aborrecidas playlists, sobretudo quando têm no centro uma voz sedutora e aconchegante como a de Emily Haines (cuja entrega compensa a linearidade excessiva da composição), sente-se falta da visceralidade e do relativo experimentalismo de discos anteriores.

 

"Fantasies" contém alguns grandes momentos a reter, caso dos dois primeiros singles ou da mais serena "Twilight Galaxy", próxima do trabalho de Haines a solo. A aposta num som demasidado limpo e formatado torna-o, contudo, num álbum menos desafiante do que se esperaria.

O resultado ainda é um bom disco mas, dentro do género, facilmente ultrapassado pelo também recente "It's Blitz!", dos Yeah Yeah Yeahs, exemplo de um álbum obrigatório que, apesar de tudo, continua a esperar-se dos Metric.

 

 

 

Metric - "Gimme Sympathy"