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gonn1000

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Barulhinho bom

Um concerto esgotado. O exíguo "aquário" do Bairro Alto quase transformado numa sauna. A subida de decibéis a competir com a da temperatura (ainda assim, menos do que se esperava). O público entre o transe e o frenesim dançável (com direito a headbanging).

E uma dupla que, em palco, trocou olhares e expressões de entusiasmo enquanto combinou programações electrónicas, percussões tribais ou pontuais vocalizações guturais e desesperadas.

 

O resultado desta primeira actuação dos britânicos Fuck Buttons em Lisboa, na Galeria Zé dos Bois, pode não ter sido bem acolhido por todos os ouvidos da sala, mas parece ter seduzido a maioria.

 

 

 

Depois de uma estreia aplaudida em 2008, com "Street Horrrsing", Andrew Hung e Benjamin John Power regressaram já este ano às edições com o recente "Tarot Sport", disco que dominou quase toda a actuação lisboeta.

 

Mais dançável e menos intempestivo do que o antecessor, o novo registo justifica que se continue a seguir o duo como uma das boas revelações da electrónica mais experimental, onde a frequente opção pela distorção em nada compromete uma sensibilidade melódica assinalável.

 

É assim nos álbuns e assim foi ao vivo, numa absorvente sucessão de temas longos (por vezes a ultrapassarem os dez minutos), entre texturas circulares e crescendos ondulantes que aproximaram o contemplativo do visceral.

 

 

A viagem foi do noise ao pós-rock e passou por aproximações ao techno minimal ou a uma dream pop com alguma vertigem, numa abordagem ecléctica que lembrou por vezes a melancolia dos Mogwai e Stars of the Lid, a carga etérea de Pantha du Prince e The Field, as progressões espaciais dos Orbital e The Future Sound of London ou mesmo a vertente mais descomprometida de uns Death in Vegas e Add N to (X).

 

Nem todos os momentos se mostraram igualmente desafiantes, mas um concerto com ingredientes tão fortes como a trepidação fluorescente de "Surf Solar", a espiral hipnótica das belíssimas "Space Mountain" e "Flight of the Feathered Serpen" (que fecham em alta o novo disco) ou as recuperações de "Bright Tomorrow" e "Sweet Love for Planet Earth" (os melhores temas de "Street Horrrsing") teve argumentos mais do que suficientes para se juntar à lista de boas recordações de 2009 - sonoras e, sobretudo, sensoriais.

 

 

 

 

Fuck Buttons - "Surf Solar"

 

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