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gonn1000

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

(Boas) Canções para amigos

Nos últimos tempos, o português tem sido o idioma de eleição de muitas novas bandas nacionais, e os Guta Naki - formados em 2008 - confirmam a tendência.

Mas não serão apenas mais um caso, pelo menos a julgar pela actuação do trio lisboeta no MusicBox, em Lisboa, na passada quarta-feira.

 

Aposta da Meifumado Fonogramas, através da qual irá editar o disco de estreia, o grupo lisboeta foi o vencedor do Restart Resound Fest 2009, em Junho, e já deixava boas indicações na sua página do myspace.

 

 

Ao vivo, Cátia Pereira (voz), Dinis Pires (baixo e melódica) e Nuno Palma (guitarra, teclados e programações) não desiludiram e conseguiram, ao longo de uma hora, percorrer vários ambientes através de um interessante conjunto de canções.

 

Actuando numa sala pouco concorrida (a chuva e o facto de ser dia de semana não terão ajudado), e com um público essencialmente composto por amigos e familiares, os Guta Naki não parecem ter sido demovidos pela afluência modesta. Até porque quem lá esteve manteve-se concentrado no que se passava no palco.

 

Comandadas pela voz quente e grave de Cátia Pereira, as canções foram um testemunho de garra e frescura, aliando atmosferas versáteis a letras que as complementam com doses equilibradas de mistério, eloquência e provocação - onde se contam histórias de faca e alguidar, de garfos que se cravam na pele ou de mulheres com a fome no olhar.

 

 

O cardápio sonoro mostrou-se suculento e espreitou uma pop jazzística e elegante (como em "A Meias com Miller", não muito longe dos Mesa), acolheu derivações do fado ("Novo Mundo" podia se d'A Naifa) ou juntou tango e rock ("Volúpia do Aborrecimento", cantada em castelhano), saíndo-se bem em todos os registos.

 

Mais serena, "Margarida" lembrou a carga etérea dos Sigur Rós, sobretudo pelo recurso ao arco de violino para tocar guitarra, que marca também os concertos da banda islandesa.

 

Mas os Guta Naki são mais vitais nos momentos de maior dinamismo rítmico, em especial em "Canção de Amigo" - talvez o melhor tema do grupo, com um crescendo de intensidade onde as programações electrónicas melhor se entrecruzam com a tensão da guitarra e do baixo.

Se o disco se revelar tão estimulante, será mais um forte argumento para não deixar a banda passar ao lado.