Kelis ainda está aqui

Em "Flesh Tone" todos os caminhos vão dar à pista de dança. "We control the dance floor", canta Kelis a certa altura do seu quinto disco, e ninguém pode acusá-la de não fazer por isso.
O contacto com a electrónica mais pujante não é inédito no seu percurso - como o comprovam colaborações com Richard X, Moby ou Timo Maas -, mas ainda assim dificilmente se esperaria um corte tão forte com o hip-hop e R&B.
Ao longo destas nove canções, a cantora de "Milkshake" não pára para descansar e entrega-se aos prazeres do electro maximal (com tempero french touch) ou da house mais radiofriendly. E oferece aquele que é, de longe, o seu álbum mais conciso e equilibrado, não obstante a colecção de nomes algo díspares na produção.
Mas se Boys Noize, Burns ou até David Guetta não a deixam ficar mal, Benny Benassi não consegue dar ao final uma euforia comparável à da sequência "22nd Century"/"4th of July (Fireworks)"/"Home", nada menos do que imbatível. "Everybody's dancing", canta também Kelis no primeiro desses temas, como se só isso lhe interessasse. E quem procurar uma banda-sonora para uma noite onde dançar é tudo o que importa, o seu "Confessions on a Dance Floor" está muito longe de ser das piores propostas.

Kelis - "4th of July (Fireworks)"