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gonn1000

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

O som e a fúria (agora mais domesticada)

 

Com 2010 a aproximar-se do final, o segundo álbum dos Crystal Castles, mais uma vez homónimo, mantém o lugar na lista de registos incontornáveis do ano.

Tal como no primeiro, Ethan Kath e Alice Glass propõem um alinhamento feito de contrastes (quase sempre extremos) onde texturas electrónicas tanto envolvem explosões guturais - devidamente ensaidas na estreia - como momentos de uma inesperada introspecção - não necessariamente menos intensos.

 

A voz dela volta a ser cobaia das experiências dele, numa viagem que sobe ao céu (na perfeição etérea de "Celestica") para logo depois descer ao inferno (em "Baptism", que já era uma bomba ao vivo e resulta num dos pilares do disco). E entre pontuais acessos de fúria (no esqueleto punk distorcido de "Doe Deer") não fecha a porta à pista de dança (ouça-se o docinho saltitante "Pap Smear" ou a soberba hipnose fluorescente de "Intimate").

 

Mas Glass não é a única vítima das manipulações de Kath. "Year of Silence", um dos temas mais desconcertantes (e viciantes), sampla "Inní Mér Syngur Vitleysingur", dos Sigúr Ros, e é a melhor canção com a voz de Jonsí em muitos anos. Já "A Walk in the Park", da também nórdica Stina Nordenstam, é exemplarmente retalhada e aproveitada nas brumas asfixiantes de "Violent Dreams" e na propulsão 8-bit de "Vietnam".

 

"Crystal Castles" esconde ainda pérolas como "Suffocation", com uma fragilidade que dificilmente teria lugar no disco anterior, e mesmo que o alinhamento talvez seja demasiado longo não atrapalha o essencial: esta intoxicação sonora mantém-se quase sempre inebriante.

 

 

 

Crystal Castles - "Year of Silence"

 

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