Humor na auto-estrada
Ao longo de uma década, Todd Phillips limitou-se a realizar comédias de trazer por casa, daquelas que só se aceitam na televisão num sábado à tarde sem programa - caso de "Road Trip - Sem Regras", "Dias de Loucura" ou "Escola para Totós", títulos que não davam grandes motivos de orgulho a uma filmografia.
Face a estes antecedentes, "A Ressaca" acabou por resultar numa relativa surpresa no ano passado, não por ser um grande filme mas por sugerir que Phillips era capaz de melhor. E é mesmo, como "A Tempo e Horas" vem agora confirmar.
À semelhança das comédias românticas, o final adivinha-se à distância, embora o que interessa seja como as situações se desenvolvem até aí. E neste buddy movie/bromance on the road desenvolvem-se muito bem, mérito de um argumento estruturado e com uns quantos diálogos e gags de antologia (mesmo que quase se despiste lá para o final, na aventura mexicana).
Claro que também não faz mal nenhum ter como protagonistas Robert Downey Jr. e Zach Galifianakis, que defendem duas boas personagens com óptimas interpretações.
Mais equilibrado do que o filme anterior, "A Tempo e Horas" prova ainda que Phillips aborda cada vez melhor a amizade/imaturidade masculina, tema que tem mantido desde o início do seu percurso. E já que "A Ressaca" vai ter direito a sequela, talvez não fosse mal pensado que uma das melhores comédias do ano também tivesse continuidade.
