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gonn1000

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Gente vulgar

 

Pé ante pé, "Encontros em Nova Iorque" vai desenvolvendo um olhar astuto sobre as relações humanas e a solidão nos centros urbanos, com a sensibilidade e discrição que sugerem estar aqui um pequeno grande filme.

Não chega a tanto, porque se Nicole Holofcener é hábil na construção de personagens - todas tridimensionais e apropriadamente imperfeitas -, o argumento perde algum fôlego lá para o final, não fazendo jus a algumas sequências (como a do passeio em família à floresta).

 

De qualquer forma, é bom ver um filme que aborda questões morais sem nunca ser moralista, deixando para o espectador eventuais julgamentos de personagens ambíguas. Como a de Catherine Keener, que vende antiguidades banais a preços de obras de arte, vivendo por isso com um constante sentimento de culpa, ou a da sua vizinha de 91 anos, que trata tudo e todos com desdém (e, milagre, Holofcener até consegue torná-la comovente).

Mas o coração de "Encontros em Nova Iorque" é Rebecca Hall, actriz que merece cada vez mais atenção: o seu fugaz sorriso triste, entre a fragilidade e a perserverança, é das imagens mais fortes que o filme deixa.