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gonn1000

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Lolito

 

Quando Martin, um adolescente de 16 anos, tenta encontrar todas as desculpas e mais algumas para passar a noite em casa de Sebastian, o seu professor de Educação Física, fica claro que "Ausente" está a meter-se a jeito para ser objecto de polémica.

Mas se nesse campo o tema dava pano para mangas - ou seja, para que o filme tivesse cenas dignas de uma novela venezuelana (ou argentina, no caso) -, Marco Berger opta quase sempre pela subtileza na sua segunda longa metragem.

 

A mestria na direcção de actores, o compasso lento (embora envolvente) da narrativa ou a abordagem crua e verosímil dos relacionamentos não serão novidade para quem viu "Plano B", a obra anterior do realizador argentino.

Já as lições de cinema de algumas cenas (sobretudo com planos sequência) ou as ocasionais tangentes aos códigos do terror (reforçadas pela banda sonora deliberadamente dramática e sinistra) alargam a construção de um universo pessoal - e felizmente transmissível.

 

"Ausente" merece, então, vários aplausos por fugir ao óbvio, mas também acaba por deixar a sensação de que ficou a um passo de um grande filme. O terceiro acto, não desiludindo, não tem a coesão do arranque, e a personagem de Martin, apesar de se ir afastando da caricatura de predador das primeiras cenas, sai a perder face à de Sebastian. De qualquer forma, o cinema argentino - queer ou não - só fica a ganhar com filmes destes.

 

 

"Ausente" foi um dos filmes da programação do Queer Lisboa 15, que decorreu no Cinema São Jorge de 16 a 24 de Setembro

 

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