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gonn1000

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Amor de perdição (e um filme perdido)

 

"Paixão", o novo filme de Margarida Gil, não demora muito a coleccionar os maneirismos menos encorajadores de algum cinema português: personagens sem espessura, interpretações teatrais, situações inverosímeis e diálogos que, querendo passar por tiradas eruditas, resultam antes em trivialidades emproadas - e não é pelo facto de os actores as declamarem que ganham densidade (espontaneidade, então, ainda menos).

 

"Adriana" (2005), o filme anterior da realizadora, até se acompanhava com curiosidade e simpatia, mas esta reflexão sobre o desejo e a obsessão - partindo de uma mulher que aprisiona um homem num quarto - não revela fôlego para uma longa-metragem (os seus modestos 75 minutos acabam por parecer bem mais longos).

 

O arranque é, ainda assim, promissor, mérito de uma atmosfera com tanto de realista como de simbólica desenhada com alguma energia visual: há por aqui planos muito inspirados e perfeccionistas, capazes de aproveitar ao máximo os espaços, quase sempre de interiores, e a fotografia de Acácio de Almeida, esplêndida, só os valoriza. A narrativa encarrega-se depois de desperdiçar estas qualidades, deixando as personagens (ou cabeças falantes?) a vaguear (no caso da metade masculina do casal, interpretada por Carloto Cotta, a câmara até parece mais deslumbrada com o seu tronco nu do que com o que sente e expressa - se calhar a saga "Twilight" não está assim tão longe).

 

"Paixão"? Não, nunca a sentimos aqui. Infelizmente, a experiência nem chega a aproximar-se de um flirt...

 

 

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