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gonn1000

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

As vidas (e os superpoderes) destes rapazes

 

Para quem está cansado de filmes de super-heróis gordos em orçamento e magros em ideias, "Crónica" pode muito bem ser a alternativa ideal. Desde logo porque, embora se centre em três adolescentes que ganham capacidades telecinéticas, a primeira obra de Josh Trank nunca tenta transformar os seus protagonistas em super-heróis.

 

Estes são miúdos normais, com ou sem superpoderes, mesmo que essa novidade acabe por afectar, inevitavelmente, o seu dia-a-dia. E é no quotidiano juvenil que o realizador norte-americano se mostra mais interessado, seguindo o contraste de personalidades do trio de amigos e a forma como estas determinam o uso das habilidades recém-adquiridas.

 

Mais do que uma pedrada no charco, "Crónica" é uma variação astuta que sabe combinar heranças da BD - dos comics a manga, dos X-Men a Akira - e as possibilidades do estilo found footage - levando mais além o que se viu, por exemplo, em "Nome de Código: Cloverfield", de Matt Reeves, com a câmara subjectiva a deixar algumas sequências de tirar o fôlego.

 

No meio das peripécias que vai acumulando, da tensão que constrói e de uma agilidade técnica impressionante (e orgulhosamente low budget), o filme nunca perde de vista o que move os seus protagonistas, sendo até mais arrojado do que o habitual ao aliar uma adolescência atribulada a capacidades que podem reflecti-la de forma devastadora. E consegue-o equilibrando leveza e densidade, escapismo e realismo, códigos e desconstruções, coração e adrenalina. Da amálgama sai uma das melhores (e mais empolgantes) surpresas da temporada.

 

 

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