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gonn1000

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

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Superaventuras Marvel

 

"Os Vingadores" não leva ninguém ao engano: o blockbuster mais aguardado da temporada não é - nem quer ser - mais do que um gigantesco parque de diversões onde, durante quase duas horas e meia, uma mão cheia de super-heróis convive com os melhores (e maiores) efeitos especiais que o dinheiro pode pagar.

 

Sim, é só entretenimento, mas ao contrário de muita concorrência consegue de facto entreter, mérito de uma mistura desenvolta de acção e humor que, além de um ritmo sem quebras, tem a grande vantagem de não se levar muito a sério. Também ajuda que as personagens, apesar dos superpoderes, não sejam notas de rodapé num desfile de CGI, particularidade que faz a diferença num filme-pipoca tão memorável por alguns diálogos (com obrigatória vantagem para os cómicos) como por sequências recheadas de adrenalina (as da nave da S.H.I.E.L.D., que entrecruzam acção em pequena e larga escala, são especialmente bem orquestradas).

 

Já encontrávamos estas qualidades no filme anterior de Joss Whedon, o subestimado "Serenity", mas agora o norte-americano trabalhou com personagens e actores com outro peso, oportunidade que não desperdiçou num blockbuster capaz de agradar aos fãs do Capitão América, Homem de Ferro ou Hulk e a um público não tão familiarizado com as suas aventuras.

 

Do elenco, Robert Downey Jr. rouba, sem surpresa, quase todas as cenas em que entra, confundindo-se cada vez mais com Tony Stark, ainda que Mark Ruffalo não fique a dever nada a Eric Bana ou Edward Norton na pele de Bruce Banner. Scarlett Johansson mostra que a Viúva Negra, cujo papel na BD não é dos mais determinantes para a equipa, tem o seu lugar nesta versão dos Vingadores - tanto a interpretação como a personagem ganham ao que vimos em "Homem de Ferro 2". Chris Evans, depois ter sido um óptimo Tocha Humana nos (não tão bons) filmes do Quarteto Fantástico, continua a cumprir como Capitão América. Já Thor tem aqui pouco mais do que quatro ou cinco cameos e a interpretação de Chris Hemsworth não lhe faz grande justiça, voltando a perder na comparação com outro deus asgardiano, Loki, que Tom Hiddleston defende com unhas e dentes (e parece ser dos que mais se diverte num vilão tão pérfido e teatral). Jeremy Renner, outra escolha certeira, não tem tantas oportunidades para defender o seu Gavião Arqueiro, mas potencial não lhe falta.

 

A dinâmica que Whedon consegue dar à equipa, com os inevitáveis conflitos internos saídos de momentos clássicos da BD, quase disfarça a unidimensionalidade dos vilões ou a estrutura mecânica e previsível da narrativa. A acção envolve, aliás, pouco mais do que uma longa batalha, e se nem sempre o notamos é porque Whedon sabe como confeccioná-la e temperá-la com humor quando é preciso (e até quando não é, mas mais vale pecar por excesso do que por defeito).

 

Ironicamente, essa leveza, embora jogue a seu favor, é também a maior limitação de "Os Vingadores": se a diversão está quase sempre garantida, a densidade dramática nem tanto, uma vez que nada parece estar realmente em risco, por maior que seja a ameaça. Nem é por falta de tentativa, mas as que há raramente funcionam (como lamentar a morte de uma personagem secundária em que o filme mal investe?) e a ressonância emocional fica aquém da de outros filmes da Marvel (os do Homem-Aranha ou dos X-Men, por exemplo, tinham outra envergadura). Posto isto, e voltando atrás, quando funciona em pleno este é um blockbuster divertidíssimo (quem resistir aos gags físicos de Hulk não tem sentido de humor) e um espectáculo que merece cada centímetro de um grande ecrã.

 

 

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