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gonn1000

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

É uma aldeia libanesa, com certeza

 

Com o delicioso "Caramel", o seu primeiro filme, Nadine Labaki já tinha revelado uma predilecção por histórias que, embora açucaradas, não deixavam de meter o dedo na ferida. Se nessa estreia a libanesa abordava o dia a dia de um grupo de amigas em Beirute, dando eco às tensões de um país, na sua segunda obra, "E Agora, Onde Vamos?", volta a direccionar o olhar para as mulheres e atreve-se a ser um pouco mais dura no retrato.

 

A mudança está longe de ser radical, uma vez que a realizadora e actriz não assina aqui um drama pesado: há situações dramaticamente mais fortes e extremas, sim, mas também uma delicadeza que forra quase todas as cenas. O tom mais angustiante de alguns momentos deve-se sobretudo ao contexto que o filme aborda, desta vez rural, assentando a acção numa aldeia onde cristãos e muçulmanos convivem pacificamente. O problema é que quando começam a chegar notícias de situações pouco amistosas no resto do país, essa pacatez torna-se subitamente ameaçada... e cabe às mulheres salvar o dia (ou seja, impedir que a aldeia se torne no cenário de uma guerra protagonizada pelos seus maridos e filhos).

 

É verdade que, mais do que o filme anterior, "E Agora, Onde Vamos?" cede por vezes a soluções simplistas, revela alguma ingenuidade e saltita, em dois ou três casos, de forma demasiado brusca entre o drama, muito humor burlesco e até sequências musicais de relevância questionável. Mas isso não importa muito quando a realizadora abraça as suas personagens com tanta ternura e convicção, nunca caindo no sentimentalismo oportunista, na excentricidade gratuita (e aqui afasta-se das habituais comparações a Kusturica) ou numa visão panfletária da religião. Já não é pouco e volta a deixar um sorriso (mesmo que melancólico q.b.) à saída da sala.

 

 

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