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gonn1000

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

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Gangs de Glasgow

 

"Neds - Jovens Delinquentes" não é propriamente uma novidade, nem sequer uma novidade nas salas nacionais. Data de 2010, passou pelo IndieLisboa 2011, onde foi um dos melhores filmes dessa edição do festival (senão o melhor), e chega agora ao circuito comercial português. Infelizmente, chega numa altura em que corre o risco de ser ofuscado pela mais de media dúzia de filmes que têm estreado por cá semana após semana - muitos tão ou mais antigos e a maioria de qualidade duvidosa.

 

Seja como for, ainda bem que chega, porque a terceira longa-metragem de Peter Mullan mostra que o escocês, além de grande actor, é tão bom ou melhor como realizador. Não é uma constatação inesperada: o sufocante "As Irmãs de Maria Madalena", quase há dez anos, já impressionava pela forma como dava a volta ao realismo britânico e aos olhares sobre a adolescência, elementos que "Neds - Jovens Delinquentes" trabalha ainda com mais força.

 

Novamente um estudo de personagem, desta vez optando por seguir um rapaz de um bairro problemático de Glasgow em vez de quatro raparigas de um convento, este drama ambientado nos anos 70 é paciente na construção da tensão emocional e, pouco a pouco, vai dando nervo a uma história que, no papel, já está vista e revista.

A história de John McGill, no entanto, é contada por Peter Mullan e isso nota-se num filme que nunca espreita a comoção fácil, o miserabilismo quer chocante quer bem intencionado, a militância pela working class (ou contra ela) e muito menos a pornografia da violência (que está presente, e até é determinante, mas nunca se impõe às personagens).

 

Outro traço a elogiar, embora este já seja quase regra em muito do cinema britânico que nos chega, é a excelente direcção de actores. Os nomes, tirando o de Mullan, que interpreta o pai do protagonista, não serão os mais sonantes, embora seja injusto não reter, pelo menos, o de Gregg Forrest, actor principal entregue a uma personagem cuja ambiguidade não funcionaria - e, pior, arrastaria o filme consigo - na pele de um actor qualquer.

 

As mais de duas duras de "Neds - Jovens Delinquentes" dificilmente poderão considerar-se das mais fáceis de passar numa sala este ano, não porque o filme alguma vez acuse a duração, mas porque resulta numa experiência que poucos permitem. Apesar disso, ou precisamente por isso, são das que se impõem como obrigatórias. O desenlace, aliás, encarrega-se de o deixar bem claro, fechando com uma das útimas cenas mais surreais já vistas num filme tão brutalmente realista.

 

 

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