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gonn1000

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Cenas da vida conjugal

 

"Aguenta-te aos 40!" arrisca-se a ser tão saturante para quem o vê como para o casal que o protagoniza - e que, a partir de certa altura, parece estar sempre a um passo do divórcio. Mas da mesma forma que Paul Rudd e Leslie Mann acabam por ir encontrando algum conforto e redescobrindo alguma cumplicidade no meio do caos do seu dia-a-dia, também Judd Apatow vai ganhando os espectadores que não associem, necessariamente, uma comédia a boa disposição com fartura. Pelo contrário: tal como o anterior "Funny People" (infelizmente sem direito a estreia nacional), o quarto filme do realizador de "Virgem aos Quarenta Anos" e "Um Azar do Caraças" pode ser bastante feio, incomodativo, constrangedor e desnorteante, e por isso mais arriscado - e interessante - do que o par de comédias simpáticas que lhe abriram caminho depois de "Freaks and Geeks" (ainda o seu ponto alto, ainda a reforçar que a sua linguagem nunca sobreviveu muito bem fora do pequeno ecrã).

 

Ao longo de mais de duas horas, "Aguenta-te aos 40!" atira-nos para uma montanha-russa de ideias e situações, algumas originais, outras batidas (e até lamentáveis), em que a imaturidade e o envelhecimento estão quase sempre em jogo - e são geralmente compatíveis. A duração é excessiva, tendo em conta que o argumento nunca chega a mostrar grande consistência, mas Apatow quer tanto abraçar todas as personagens que acaba por sacrificar qualquer tentativa de economia narrativa. O sacrifício justifica-se quando os secundários são habitualmente bem escritos e interpretados por nomes novos e antigos da comédia norte-americana - Albert Brooks, Jason Segel, John Lithgow, Chris O'Dowd, Megan Fox ou Lena Dunham agradecem; já as personagens de Melissa McCarthy e Charlyne Yi, transformadas em sacos de pancada, nem por isso. E depois há uma mão cheia de bons gags e observações sobre a cultura pop que vão acompanhando e complementando o retrato conjugal e familiar, desde discussões em torno dos méritos dos Pixies ou de Lady Gaga, de "Mad Men" ou de "Perdidos", à cereja em cima do bolo num final consensual com Ryan Adams ao vivo, despedida perfeita para um filme que respira - e observa - imperfeições.

 

 

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