Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

gonn1000

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

CRIME SOB INVESTIGAÇÃO

"Brick", estreia de Rian Johnson na realização, chega a salas nacionais após uma entusiástica recepção internacional, com destaque para o Grande Prémio do Júri para Visão Original no Festival de Sundance, em 2005. Os elogios chegam ao ponto de comparar o filme a outras primeiras-obras auspiciosas de círculos indie, como "Donnie Darko", de Richard Kelly, mas se "Brick" contém alguns méritos que justificam a sua descoberta nunca chega, contudo, a aproximar-se da genialidade ou sequer de um nível de inspiração muito acima da média.

A proposta, apresentar uma história com claras alusões ao film noir mas inesperadamente ambientada no universo estudantil de um liceu, é criativa e aliciante, e embora Johnson consiga desenvolvê-la com algum engenho a execução acaba por ficar aquém das potencialidades da premissa.

Seguindo a investigação do protagonista, que procura descobrir os responsáveis pela morte da ex-namorada, o filme mantém certas coordenadas do policial negro, aqui abordadas de forma suficientemente refrescante. Não falta uma sisuda, perspicaz e solitária personagem principal, obstinada em resolver um mistério sinistro, nem as enigmáticas femmes fatales que vão surgindo no seu caminho, assim como outras figuras de moral ambígua e presença desconfortante.

A envolvente realização de Johnson, por vezes próxima da de Chris Nolan, é eficaz na edificação de uma soturna atmosfera urbana, os diálogos são certeiros e temperados com doses suficientes de humor negro e o elenco, todo ele jovem, está à altura das necessidades do projecto, em particular o protagonista Joseph Gordon-Levitt, que não poderia estar mais longe do imberbe papel através do qual se celebrizou na série "Terceiro Calhau a Contar do Sol".

O que falha, então, neste ambicioso exercício de estilo? Sobretudo o argumento, que ao querer ser tão complexo e intrigante torna-se excessivamente clínico e cerebral, e se nunca deixa de ser curioso de seguir leva-se demasiado a sério e não é capaz de gerar a carga dramática que se esperaria. Com a eventual excepção da personagem de Gordon-Levitt, todas as outras ficam reféns de uma vertente meramente funcional, sendo pouco mais do que peças de um jogo inteligente q.b., mas distante do brilhantismo.
E O VEREDICTO É: 3/5 - BOM

4 comentários

Comentar post