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gonn1000

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Quatro por quatro

Little Boots 2018

 

Quatro canções, quatro convidadas e uma sonoridade negra e dançável, com letras mais directas e confessionais. É assim que LITTLE BOOTS apresenta "Burn", o seu novo EP, a editar esta sexta-feira - que traz os primeiros originais da britânica desde o terceiro álbum, "Working Girl" (2015).

 

Inspirada por um contacto reforçado com a vida nocturna depois de um percurso paralelo como DJ no ano passado, Victoria Hesketh parece cada vez mais longe da synthpop borbulhante de "Hands" (2009), estreia que apesar de tudo já tinha as pistas de dança na mira. E regressa ao lado de várias convidadas, numa tentativa de dar maior visibilidade a artistas femininas da cena electrónica.

 

Joyce Muniz, Lauren Flax, Planningtorock e Cora Novoa acompanham-na nas quatro novas faixas, que tiveram em "Shadows" o primeiro cartão de apresentação e contam com "PICTURE" como sucessora. O tema alude ao final de um relacionamento amoroso e ao papel da tecnologia, outros dois pontos de partida para o EP, e resulta da parceira com Flax. A realização do videoclip também foi entregue a uma mulher, Marion Bergin, que já tinha dirigido o do single anterior e salta agora de ambientes hedonistas para os de uma (eventual) instalação:

 

 

Primavera de destroços

Beach House

 

Quem acusava os BEACH HOUSE de alguma redundância ao fim de seis álbuns talvez mude de opinião com a chegada do sétimo. As primeiras amostras, pelo menos, revelam a dupla de Baltimore menos fechada em si mesma e decidida a explorar um lado mais eléctrico e até vertiginoso, sem deixar os ambientes oníricos através dos quais se distingiu desde a estreia homónima, em 2006.

 

"Lemon Glow" e "Dive", apresentadas nos últimos meses, já deixavam boas pistas, e agora "DARK SPRING" volta a sugerir uma viragem para domínios shoegaze em modo mais acelerado, com uma efervescência de sintetizadores, guitarras e percurssão temperada pelos sussurros de Victoria Legrand. Enquanto não chega a confirmação - "7", assim se chama o disco, está agendado para 11 de Maio - fica o videoclip trepidante q.b., realizado por Zia Anger:

 

 

Veteranos mas flexíveis

Ao décimo álbum, os GUSGUS continuam a ser uma das exportações pop islandesas mais confiáveis e uma das certezas da música de dança actual. E "LIES ARE MORE FLEXIBLE" nem precisa de acrescentar muito ao que já fizeram...

 

GusGus 2018

 

Nunca tiveram a popularidade de Björk, nunca contaram com o culto ao nível do que os Sigur Rós conseguiram nos primeiros tempos, mas mais de 20 anos depois de "Polydistortion" (1997), o álbum que os deu a conhecer fora de portas, os GUSGUS podem orgulhar-se de um digno percurso entre a pop e a música de dança - e talvez até menos irregular do que o desses seus conterrâneos.

 

Em 2018, o projecto que começou como colectivo multidisciplinar regressa no formato de dupla composta pelos veteranos Biggi Veira, o único elemento que se manteve desde a formação original, e Daníel Ágúst, a voz mais reconhecível da banda - e a que está no centro de muitos momentos do clássico "This Is Normal" (1999) ou do mais recente e também aconselhável "Mexico" (2014).

 

Habituados a apostar no formato canção enquanto testam ambientes mais expansivos, os islandeses raramente o fizeram de forma tão equilibrada (e sobretudo compartimentada) como aqui. A primeira metade do alinhamento, mais imediata, assenta na voz de Ágúst e em ritmos mais dançáveis, partindo de "Featherlight" (o promissor single de apresentação, já revelado no ano passado). A segunda dispensa o vocalista e retoma a vertente instrumental que dominou a colaboração "Gus Gus vs. T-World" (2000), da qual um tema como "Fuel" parece ser descente directo.

 

GusGus - Lies Are More Flexible

 

Com quase oito minutos de duração, essa faixa, que encerra o disco, é a mais longa e também a mais estimulante na conjugação de house progressiva, techno e trance, com um crescendo que se vai aproximando de ambientes espaciais. Mais directo e acelerado, o tema-título é outro instrumental de boa colheita, a confirmar a eficácia dos GUSGUS para as pistas de dança, e "No Manual" chega a lembrar a electropop do também nórdico Kleerup, com sugestões de melancolia sem abdicar da pulsão rítmica.

 

Um tom mais invernoso marca ainda "Don't Know How to Love", conduzida por Ágúst mas com a voz de John Grant nos coros. O norte-americano é o único convidado de um disco que acaba por estar bem entregue ao duo que compõe os GUSGUS em 2018, cujo savoir faire tem em "Lifetime" um dos melhores exemplos. Concentrado de euforia contagiante a pedir uma multidão com braços no ar, é um óbvio candidato a single, mesmo sendo terreno já desbravado pela banda (e basta recuar até "Airwaves", um dos pontos altos de "Mexico", por exemplo). 

 

Se "LIES ARE MORE FLEXIBLE" assegura mais uma evolução na continuidade do que um corte com o que está para trás, não deixa de ser envolvente e menos disperso do que alguns discos anteriores do grupo. Também ajuda contar com apenas oito faixas (das quais "Towards Storm" é um interlúdio), enquanto confirma que os GUSGUS continuam flexíveis - e aqui mostram como menos pode ser mais.

 

 3,5/5

 

 

Da Áustria com amor

Love Good Fail

 

Graças a nomes como Kruder & Dorfmeister, Tosca ou Sofa Surfers, Viena ameaçou tornar-se um polo de novidades da música de dança em finais da década de 90, mas o interesse internacional pela produção austríaca nesse departamento acabou por arrefecer quando o downtempo passou de fenómeno trendy a requentado - e de mais uma nova tendência remetida a nota de rodapé da sua época.

 

Ainda assim, uma editora como a Seayou Records comprova que, anos depois dessa chamada de atenção, continuam a não faltar novidades nascidas na Áustria. Mynth, Monsterheart, Squalloscope, Onwe ou Thieves Like Us (estes ligeiramente mais populares fora de portas) são algumas das apostas de um catálogo que acolhe agora a chegada dos LOVE GOOD FAIL, trio que também se aventura pela pop electrónica.

 

Como o passado não ficou completamente lá atrás, Wolfgang Schlögls, ex-elemento dos Sofa Surfers mais conhecido como I-Wolf, assegura a produção do álbum de estreia da banda de Johanna Prechtl (voz), Johannes Pobitzer (programações) e Maria Tunner (teclas). "We Met at Night" está agendado para 8 de Junho e conjuga influências da escrita de Oscar Wilde e da música de David Bowie ou John Cage, lado a lado com heranças house ou dub, avança o grupo.

 

O primeiro single, no entanto, sugere audições de Lykke Li (dos primeiros tempos), El Perro del Mar ou da mais esquecida Stina Nordenstam, ao seguir por uma indie pop de travo nórdico que alterna acessos oníricos com apelos dançáveis. E é bem promissor, este "POOLBOY":