Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

gonn1000

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Cenas (trocadas) da vida conjugal

cometa

 

A estrear-se numa semana em que a euforia da corrida aos Óscares consegue ser ofuscada pela histeria de "As Cinquenta Sombras de Grey", um filme como "COMETA" não sairá muito favorecido pelo timing. Mas é pena, porque mesmo não indo para a lista de propostas imperdíveis, esta primeira longa-metragem de Sam Esmail merece pelo menos uma oportunidade - como a que a personagem de Emmy Rossum dá à de Justin Long quando a conhece.

 

Comédia romântica, às vezes dramática, que tenta conjugar realismo e alguns acessos de ficção científica, o filme acompanha a relação amorosa da dupla protagonista ao longo de seis anos, com saltos temporais entre cinco momentos-chave e uma alternância entre (eventuais) realidades paralelas e sequências oníricas, (re)conquistas e separações.

Parece confuso? Felizmente, o resultado é menos intrincado do que a descrição sugere e o filme até mostra uma fluidez atípica não só numa primeira obra mas também numa narrativa não linear.

 

Se o minimalismo e gosto pelos diálogos da trilogia "Antes do Amanhecer"/"Antes do Anoitecer"/"Antes da Meia-Noite", de Richard Linklater, se cruzasse com a irreverência de "O Despertar da Mente", de Michel Gondry, o resultado talvez não andasse longe disto. "COMETA" raramente consegue ombrear com a sensibilidade do primeiro e o arrojo do segundo, admita-se, e começa a perder algum fôlego a meio, quando o lado lúdico não chega para disfarçar alguma inverosimilhança (sobretudo na primeira noite do casal) e redundância (quase todos os segmentos marcam um afastamento ou um reencontro e assim o quotidiano a dois fica quase por explorar, o que pode ser uma opção mas também é uma limitação).

 

De qualquer forma, entre os altos e baixos expectáveis numa estreia, esta hora e meia é quase sempre envolvente, mais bem escrita do que grande parte da concorrência a atirar para o Dia dos Namorados (com a vantagem de também servir para encalhados, divorciados e outros mais) e traz um olhar fresco sobre a dinâmica das relações que não se esgota na vertente formal (até tem muitas coisas a dizer a uma geração, ou parte dela, com dificuldades em deixar a adolescência, e nisso o final é certeiro). Emmy Rossum e Justin Long aguentam-se bastante bem num filme que dispensa secundários quase por completo - sem que se sinta grande falta deles - e Sam Esmail filma-os com uma energia visual a prometer não uma estrela cadente, mas em ascenção. Haja disponibilidade para a deixar brilhar...

 

 

 

Comentar:

CorretorEmoji

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.

Este blog tem comentários moderados.