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Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

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Chegar, ver e vencer

Mais uma série de super-heróis? É verdade, mas há bons motivos para não deixar passar "INVINCIBLE", cujos três primeiros episódios já chegaram ao Amazon Prime Video - e com direito a uma viragem de tom desconcertante logo no capítulo inicial.

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Depois de "The Walking Dead" e "Outcast", há mais uma saga de Robert Kirkman a saltar da BD para o pequeno ecrã. Editada pela Image Comics entre 2003 e 2018, a revista "INVINCIBLE" durou 144 edições e contou a história de um adolescente norte-americano que tem o fardo de ser o único filho do maior super-herói do planeta. Ao longo de 15 anos, Kirkman acompanhou a entrada na idade adulta do protagonista, Mark Grayson, e moldou um universo complexo e personalizado, que partiu dos códigos das aventuras de super-heróis para os desconstruir aos poucos - enquanto se desviou de um tom ligeiro para cenários mais negros.

Encerrada a saga na BD (também aí a demarcar-se das cronologias intermináveis da Marvel ou da DC), "INVINCIBLE" ganha nova vida numa série de animação, para já através de uma primeira temporada de oito episódios. Animação para adultos, entenda-se, embora o contacto inicial possa levar ao engano, tanto pelo estilo visual adoptado (a lembrar adaptações para toda a família) como pela história coming of age num ambiente de liceu que ocupa grande parte do primeiro episódio.

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Admita-se que a animação podia ser mais sofisticada e inventiva, do desenho das personagens aos cenários, sobretudo quando Cory Walker, artista que criou este universo com Kirkman na BD, também está na equipa criativa da série. Mas se "INVINCIBLE" não impressiona especialmente nesse aspecto, tem outros trunfos que a ajudam a ganhar a aposta em episódios mais longos do que os 30 minutos habituais em séries animadas.

Os primeiros capítulos são muito bons a apresentar o mundo de Mark, do núcleo familiar ao escolar, passando pela descoberta dos seus superpoderes e pelo contacto com outras pessoas com capacidades especiais, de super-heróis a supervilões. As vozes das personagens ajudam, com Steven Yeun, J.K. Simmons, Sandra Oh, Zachary Quinto, John Hamm ou Seth Rogen (que também é produtor executivo) entre os actores convocados. E se por um lado há aqui muito de reconhecível - os dilemas juvenis lembram os de Peter Parker/Homem-Aranha, as origens do pai devem muito ao Super-Homem -, há tanto ou mais de subversivo, sem que "INVINCIBLE" deixe de ser uma carta de amor ao género (não se notam, por exemplo, sinais do cinismo de "Watchmen").

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Os minutos finais do primeiro episódio prometem tirar o tapete debaixo dos pés aos espectadores que nunca tenham lido a saga, e mesmo os que leram talvez fiquem surpreendidos ao verem que esse momento decisivo chegou tão cedo. Na BD, a tensão foi construída de forma gradual, com os primeiros números a adoptarem um tom mais bem humorado. Já a série diz logo ao que vem e faz conviver um relato quase inocente com um disparo repentino de ultraviolência, mantendo uma história com coração e sentido lúdico - e Kirkman mostra mão segura em todas as vertentes, nunca forçando a nota nesse balanço.

Depois de "The Boys" ter mergulhado no lado negro do super-heroísmo (ou do poder em geral), curiosamente também com uma versão muito livre da Liga da Justiça no centro da trama, o Amazon Prime Video abre a porta a outro universo que foi fértil na BD e tem tudo para correr bem na TV. Por agora, é das estreias mais empolgantes e carismáticas do trimestre...

Os três primeiros episódios de "INVINCIBLE" estão disponível no Amazon Prime Video desde 26 de Março. A plataforma de streaming estreia novos episódios todas as sextas-feiras.

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