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Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Do Festival da Canção aos Pauliteiros de Miranda (via pop electrónica)

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Embora já contasse com temas editados desde 2014, FILIPE KEIL tornou-se um nome mais familiar para muitos ao ter sido um dos concorrentes da edição de 2019 do Festival da Canção, na qual apresentou "Hoje". Mas essa balada assente na voz e no piano nem será a mais representativa de uma sonoridade que deu os primeiros passos num EP vincado por ecos da new wave, "Keil" (2014), com o cantautor a expressar-se em português e inglês, ao qual se seguiu o acústico "Sonhador" (2017), este já a optar apenas pela língua materna - escolha que se tem mantido desde aí.

Alguns singles volvidos, "(A)CORDA" propõe agora mais quatro canções inéditas e alarga consideravelmente os horizontes líricos e sobretudo sonoros do artista nascido em Chaves há 30 anos (e que além de manter um percurso musical, editou no ano passado "A Salvação da Primavera", livro que escreveu e ilustrou).

Conforme explicou em entrevista ao SAPO Mag, no novo EP FILIPE KEIL parte de uma combinação de tradição e contemporaneidade, da música de Trás-os-Montes à pop electrónica, enquanto canta sobre identidade, crescimento e liberdade. Pelo caminho, também questiona conceitos de masculinidade (como aliás já fazia no registo de estreia, em "Cry Boy, Cry!") e atira-se a territórios inesperados no momento mais agreste do disco, "Hora", a sugerir audições atentas dos Nine Inch Nails - e a mostrar-se capaz de integrar essa eventual herança numa linguagem que vai definindo como sua.

A escolha para tema de apresentação, no entanto, recaiu sobre "O AMOR COMO É?", também ele a denunciar sinais de mudança. Inspirado pelo som do bater dos paus dos Pauliteiros de Miranda, é um single contagiante - talvez a canção mais dançável do flaviense até aqui - e chega com um videoclip assinado pelo cantor que aposta num sentido estético mais personalizado. A tradição dos Caretos de Podence também se faz notar nas imagens, curiosamente numa altura em que esse legado marca uma das concorrentes mais fortes do Festival da Canção deste ano. E ajuda a sinalizar, numa das boas surpresas da pop nacional da temporada, que o caminho do FILIPE KEIL de 2021 já está bem distante dos tempos de "Hoje".

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