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gonn1000

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Escapemos, queremos

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Há mais na pop latino-americana actual do que reggaeton ou derivados e JAVIERA MENA tem comprovado isso mesmo desde o álbum de estreia, "Esquemas juveniles" (2006). Se aí a chilena se fazia notar por canções com uma sensibilidade indie e melancólica, em registo electroacústico, os sucessores reforçaram a faceta sintetizada numa discografia que teve os Kings of Convenience entre os admiradores iniciais (com direito a convite para primeiras partes de concertos dos noruegueses, Portugal incluído), contou com a produção de El Guincho numa fase mais recente e foi deixando pérolas como "Al Siguiente Nivel", "Luz de Piedra de Luna" ou "Primera Estrella" pelo caminho.

Este ano, além de marcado pelo lançamento do EP "I. Entusiasmo", tem sido importante no seu percurso pela benção da plataforma COLORS (para a qual interpretou a inédita "Debilidad", numa viragem synth funk) ou pela aposta da campanha EQUAL, do Spotify, dedicada a artistas femininas (através de um destaque muito cobiçado em Times Square).

Entretanto, vai preparando o sucessor do quarto álbum, "Espejo" (2018), produzido pelo colaborador habitual Pablo Stipicic, que deverá conciliar registos midtempo, baladeiros e dançáveis. O novo single, "CULPA", enquadra-se imediatamente na última categoria, entre acessos house, eurodance e electro interrompidos (embora não por muito tempo) por um órgão em modo gótico. Inspirações? Schubert (!), aponta a chilena. Mas a dança entre o Bem e o Mal da letra também sugere estar aqui uma descendente das inquietações e transgressões de um hino como "It's a Sin", dos Pet Shop Boys - e tal como a dupla britânica, também a chilena se consolidou como um ícone LGBTQI+.

Só falta mesmo a estreia em nome próprio num palco nacional, até porque as suas actuações são um espectáculo pop completo - e orgulhosas de o serem, sem qualquer margem para sentimentos de culpa.