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gonn1000

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

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Música nova fixe? É por aqui

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A rentrée discográfica tem sido agitada e recomenda-se. Só na última sexta-feira, chegaram novos álbuns dos Low, Saint Etienne, Sleigh Bells, Martina Topley-Bird, Matthew E. White, Sneaker Pimps (!), Annie (neste caso, um EP) ou da colaboração dos Limiñanas com Laurent Garnier, entre muitos outros.

As sugestões da casa, no entanto, arrancam com "COOL", o quarto de originais de COLLEEN GREEN e o primeiro em seis anos, desde "I Want to Grow Up" (2015). Pelo meio houve alguns EPs e... um disco de versões dos Blink 182. Mas foi nos Stooges que a norte-americana pareceu ter-se inspirado para "I Wanna Be a Dog", que abriu caminho para o novo longa-duração, quase uma releitura em tom ligeiro e simpático do clássico da banda de Iggy Pop. Só que nem esse avanço nem "It's Nice to Be Nice" estavam no patamar do álbum anterior da cantautora, um capítulo inesperadamente ambicioso da sua discografia, marcado pela chegada aos 30 anos.

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A impressão inicial de "COOL" vem confirmar que o alinhamento não tem a coesão do anterior, embora haja aqui pistas mais interessantes do que as das primeiras canções reveladas. Apesar de mais polido, em parte por não dar tanto protagonismo às guitarras, o resultado consegue um balanço curioso entre baixo, bateria e harmonias vocais, mesmo que soe muitas vezes mais agradável do que desafiante.

O que falta em ambição sobra em despretensão (de costela slacker), o que não é um problema quando ainda se ouvem viragens sugestivas como "Highway", o novo single (e o melhor do álbum até agora), a propor caminhos mais densos na linha da brilhante "Deeper Than Love", do disco anterior (modo new wave com spoken word incluído).

"Natural Chorus" pisca o olho ao krautrock em vez de insistir na descendência do que em tempos se chamou de rock alternativo - a californiana assume influências tanto dos Pixies como dos Strokes, mas também não anda longe de Liz Phair, Juliana Hatfield ou dos habitualmente comparados Best Coast. E a linguagem que deve muito à escola indie e lo-fi dos anos 90 funciona bem na abertura, "Someone Else" ("He has someone else/ They all do", dispara a californiana logo no arranque, a mostrar que nem todas as letras são tão descontraídas como as melodias sugerem), ou na igualmente orelhuda "You Don't Exist" (uma sucinta reflexão existencial motivada por obsessões pelas redes sociais).

Talvez não chegue para estar aqui um dos grandes regressos da temporada e obrigue quem se converteu à música de COLLEEN GREEN com o disco anterior a baixar ligeiramente as expectativas. Mas as primeiras audições apontam para um álbum que pelo menos faz jus ao título...