Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

gonn1000

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Noiva em fuga (e um filme que chega de mansinho)

Embora não seja uma altura especialmente forte para o cinema, em plena silly season ainda vão chegando algumas surpresas às salas. É o caso de "O VERÃO DE MAY", segundo filme de Cherien Dabis (e o primeiro a estrear cá), casamento feliz de comédia e drama centrado num noivado não tão auspicioso.

 

o_verão_de_may

 

Quando May Brennan, escritora norte-americana de ascendência jordana, deixa Nova Iorque para passar algum tempo com a família em Amã, começa a questionar o que realmente quer enquanto prepara o casamento e o aguardado segundo livro. E à medida que vai convivendo mais com as duas irmãs e os pais (cuja separação ainda deixa marcas na rotina familiar), a estabilidade afectiva e profissional mostra-se mais frágil do que parecia à partida.

 

Além de realizadora, Cherien Dabis, norte-americana filha de pai palestiano e mãe jordana, acumula as funções de actriz principal e argumentista e sai-se bem em todas, com um atestado impressionante de charme e perspicácia. Não é caso único: a libanesa Nadine Labaki também conjugou essas valências em "Caramel", outro filme que seguia um grupo de mulheres (nesse eram cinco amigas, aqui são três irmãs) tendo como pano de fundo a conjuntura do Médio Oriente.

 

"O VERÃO DE MAY" será mais ligeiro do que a obra da autora de "E Agora, Onde Vamos?", ao optar (talvez demasiado) pela comédia romântica e de costumes, e até ameaça perder-se lá para o final, entre dois triângulos amorosos e uma reviravolta que surpreende mais as personagens do que o espectador.

 

Se estes desequilíbrios o impedem de ser um título para marcar o ano, ainda é uma proposta a espreitar neste dias: pelo acerto de todo o elenco (com um inesperado Bill Pullman ou Alia Shawkat, de "Arrested Development"), a força dos diálogos (sobretudo os mais marcados pelo humor), a elegância da realização ou a sensibilidade de Dabis para abordar questões culturais, sociais e religiosas sem simplismos e generalizações. May pode tentar fugir (do noivo, da família, da Jordânia), mas deixa-nos sempre agarrados ao filme.