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gonn1000

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

O que é que se passa naquela casa?

"A MALDIÇÃO DE BLY MANOR" prova que mansões misteriosas ainda podem ser território fértil para o universo do terror, pelo menos quando são tão bem ocupadas (e filmadas) como esta aposta da Netflix, uma das melhores do serviço de streaming.

Bly Manor.jpeg

A segunda temporada da saga de antologia "The Haunting" confirma que Mike Flanagan é (mesmo) um nome a ter em conta no terror actual, embora alguns dos seus filmes tenham ficado aquém do que tem conseguido nesta série (caso de "Jogo Perigoso", também disponível na Netflix, elevado por uma óptima Carla Gugino, ou "Doutor Sono", sequela de "The Shining" geralmente acolhida com indiferença).

A sucessora da muito recomendável "A Maldição de Hill House" (2018) adapta mais uma vez um clássico literário do género - desta vez foi "A Outra Volta do Parafuso" (1898), de Henry James - de forma livre e com heranças de outras obras do autor, mantendo parte do elenco da primeira época numa história sem ligações ao que ficou para trás - e agora numa pequena localidade britânica. Mas volta a ter como cenário uma mansão aparentemente assombrada e palco de um relato amoroso e familiar mais comovente do que assustador, o que está longe de ser uma limitação: poucas histórias de terror recentes foram capazes de construir personagens tão palpáveis como as deste drama de contornos góticos, cuidado que se estende a um elenco tão selecto nas novas caras como nas regressadas (destas últimas, Victoria Pedretti convence num papel com maior protagonismo e Oliver Jackson-Cohen destaca-se numa figura muito diferente da que encarnou antes).

Carla Gugino, mulher do showrunner e realizador, também regressa para uma participação mais curta mas determinante, iniciando e fechando uma trama elíptica e atmosférica que poderá não dar ao espectador aquilo de que está à espera (neste caso, uma vantagem). E se o balanço final fica um pouco abaixo do patamar de "A Maldição de Hill House" (o novelo narrativo é às vezes mais intrincado do que precisava; um episódio centrado no passado, a preto e branco, poderia ter sido resumido em algumas sequências; o desenlace algo brusco estranha-se antes de se ir entranhando), há aqui capítulos que cruzam o inquietante e o apaixonante com uma sensibilidade rara e sem parentes próximos na televisão actual... pelo menos até à próxima incursão de Flanagan numa casa assombrada.

3,5/5

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