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gonn1000

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Que esta inspiração não seque tão cedo

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Apostas musicais para 2021? A sempre atenta 4AD parece acreditar nos DRY CLEANING, tendo a banda britânica entre as contratações recentes e preparando-se para editar o seu álbum de estreia. Enquanto o disco não chega, o primeiro passo dá-se com "SCRATCHCARD LANYARD", que mantém firme a descendência da escola pós-punk já dominante nos EPs "Sweet Princess" (2018) e "Boundary Road Snacks and Drinks" (2019), testemunhos de vitalidade num género insistentemente repisado por conterrâneos e contemporâneos do quarteto londrino.

Tanto pelos conjuntos de canções iniciais como pelo novo single, os DRY CLEANING juntam-se aos Porridge Radio ou aos Sorry enquanto vozes a ouvir de uma nova geração do rock britânico, mérito dos relatos tão sardónicos como confessionais da vocalista, Florence Shaw, e de uma conjugação clássica de guitarra, baixo e bateria decidida a seguir um livro de estilo próprio. Entre o registo spoken work, com um fluxo de consciência que cola fragmentos de notas mentais, conversas de café, observações mundanas e tiradas do Twitter ou do Facebook, e a instrumentação tensa, que ganha voos ainda mais desopilantes ao vivo, há aqui uma consistência admirável já antes do desafio do primeiro longa-duração.

The Feelies ou os B-52's surgem entre as influências partilhadas pelo grupo, mas os Sonic Youth (sobretudo com Kim Gordon a tomar conta do microfone), Elastica ou Long Blondes serão outras pistas esclarecedoras desta identidade em construção, que também já se destaca visualmente. É ver o videoclip de "SCRATCHCARD LANYARD", estreia inventiva na realização da dupla de artistas britânicos Rottingdean Bazaar, ou a forma como a banda toma conta do palco na actuação para a KEXP, com um contraste deliberado entre o recolhimento da vocalista e a expansão dos músicos - os cabelos do baixista e do guitarrista são um espectáculo por si só, sobretudo no (tremendo) remate em espiral de "Conversation".