Sube la temperatura

Peter Hook, Pascal Comelade, Emmanuelle Seigner ou Étienne Daho são alguns dos convidados especiais que se têm juntado à história dos Limiñanas, iniciada em 2009 e já com quase uma dezena de álbuns pelo caminho. O próximo, "De película", chega a 10 de Setembro e o título reforça o lado cinematográfico de uma música cujo potencial para filmes foi audível desde os primeiros dias e levaria a dupla francesa a compor bandas sonoras (a de "The World We Knew", thriller de Matthew Benjamin Jones e Luke Skinner estreado em 2020, foi a mais recente).
Apesar de as novas canções não terem o cinema em vista, não deixam de construir uma narrativa, uma vez que integram um álbum conceptual assente na viagem dois jovens amantes à deriva pela estrada fora - e em particular na fronteira entre França e Espanha -, com inspirações que vão de "O Acossado", de Jean-Luc Godard, a "Um Coração Selvagem", de David Lynch. Lionel e Marie Limiñana, também eles um casal, não fizeram a viagem criativa sozinhos e aceitaram a companhia de LAURENT GARNIER, figura de proa da electrónica francesa e um dos responsáveis pelo fenómeno french touch, capítulo marcante da música de dança dos anos 90.

"De película", no entanto, não se esgota numa relação a três. Edi Pistolas, voz dos chilenos Pánico e metade dos Nova Materia, participa no novo single do disco, "QUE CALOR", consideravelmente distante de "Saul", primeiro avanço atmosférico e mais próximo dos cenários habituais dos Limiñanas (um rock psicadélico que deve tanto a Gainsbourg como a Morricone ou à iconografia de um Tarantino).
Canção agitada e dançável, a adicionar algum tempero latino (muito por culpa do registo irreverente e destravado de Pistolas), desvia-se de uma pradaria isolada e sem fim à vista para uma discoteca repleta, com percussão, teclados e sintetizadores a marcarem o ritmo - e a fazerem notar a mão de Garnier.
O videoclip, uma animação a juntar sexo, suor e festa, dá rédea solta ao hedonismo e ajuda a apontar aqui um dos singles mais esfuziantes deste Verão: