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Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Fundo de catálogo (95): Feromona

 

Más notícias para o rock nacional: os Feromona, uns dos seus mais dignos representantes dos últimos anos, anunciaram sexta-feira, no Facebook, que os concertos nos festivais Mêda + e Lavre, a 26 e 27 de Julho, respectivamente, serão os seus últimos. É verdade que este ponto final não quer dizer que os elementos do quarteto fiquem longe de outros discos e palcos - sobretudo Diego Armés, autor de um álbum a solo -, mas ainda assim a banda de Mafra vai fazer falta.

 

Cinco anos depois da edição, "Uma Vida a Direito" continua a ser exemplo de um grupo sem grandes substitutos ou equivalentes óbvios, por muito que tenha sido comparado aos Ornatos Violeta e Jorge Palma ou ajudado a abrir caminho para uma nova vaga de rock cantado em português.

 

Como nem tudo são más notícias, o álbum de estreia do então auto-denominado power trio voltou a estar disponível, desde há uns meses, para audição e download gratuito. O convite à partilha é meritório e canções como "Vodka", "Mustang" ou "Função do Prazer" não o são menos. (Re)descobri-las pode ser um bom aquecimento para o segundo álbum, "Desoliúde" (2010), e para o EP "Aquelas Três" (2012), também ao alcance de um clique (pagar ou não fica ao critério de cada um). E por falar em música gratuita, vale a pena destacar que o concerto do Mêda + é de entrada livre (como todos os do festival que recebe ainda os Supernada, The Parkinsons ou Wraygunn).

 

"Bisturi", um dos temas mais populares de "Uma Vida a Direito", é presença praticamente garantida nessa despedida de dez anos com algumas curvas, mas sempre bem vividos por uma banda com uma indisfarçável melomania no sangue:

 

Dançar como no Verão passado

 

"XII", o segundo álbum dos Parallels, já foi editado no Verão do ano passado mas ainda vai a tempo de ser (re)descoberto algumas estações depois. O trio de Toronto dá uma ajuda ao divulgar o videoclip do novo single, "Things Fall Apart", apetecível exemplo da sua synth pop com laivos de italo disco e Hi-NRG. As imagens de ambientes nocturnos complementam a melancolia dançável cantada por Holly Dodson (a fazer bem de Madonna dos 80s) e há muito mais para ver e ouvir no site oficial da banda, que disponibiliza os seus dois álbuns para audição gratuita. Enquanto não parece haver quem a traga cá, já não é nada mau...

 

A cantiga é uma arma, esta mixtape é um cocktail molotov

 

Cidade natal dos Iceage ou dos WhoMadeWho, Copenhaga viu nascer, mais recentemente, uma dupla que, por coincidência ou não, está a meio caminho entre essas bandas. Com a primeira, os Broke partilham uma postura punk, sobretudo pela atitude do it yourself que surge como resposta à suposta uniformização da cultura mainstream local. E tal como os WhoMadeWho, Mads Bergland e Simon Littauer têm na electrónica dançável a sua forma de expressão preferida.

 

"Lifestyle Mixtape", o primeiro longa-duração do duo, disponível para download gratuito no seu site, parte de um electro sujo para chegar a um alinhamento imponente com estilhaços pós-punk, pós-rock ou shoegaze, a lembrar os momentos mais caóticos dos Primal Scream ou uns Delphic e The Shoes menos rendidos à pop. A ideia deste bloco sonoro ruidoso é, dizem os Broke, reflectir a falta de esperança da sua geração - reflexo que começou no próprio nome do projecto, inspirado pela situação financeira de Mads e Simon.

 

Os conterrâneos (e também electrónicos) Spleen United garantem que "Lifestyle Mixtape" foi a melhor edição dinamarquesa de 2012 e alguns momentos, como a trepidação instrumental de "It Sure Is Pretty Green", ajudam a perceber porquê. A canção pode ouvir-se abaixo, numa versão ao vivo, mas antes ficam os videoclips do mais agreste "Let The Youth Go Mad" (o novo single, com a dinamarquesa MØ a fazer bem de Uffie), do também frenético "Out of Existence" e do minimal e robótico "Restless Beach":

 

 

Prelúdios nocturnos

 

Será desta que Little Boots edita o seu segundo álbum? Depois de vários avanços, parece que sim, que o sucessor do já longínquo (para os padrões da pop actual) "Hands", de 2009, chega mesmo a 6 de Maio. O tema inédito mais recente, revelado hoje, tem estatuto de primeiro single oficial e merece-o, ou não fosse também a melhor canção divulgada pela britânica até agora.

 

"Shake", "Every Night I Say A Prayer" ou "Headphones" eram mimos eficazes para as pistas e "Whatever Sets You Free" ameaçou cair em territórios dançáveis excessivamente mecânicos, mas "Motorway" (disponível para download gratuito aqui), embora funcione nesse cenário, tem um peso mais conzidente com o tom soturno e melancólico tanto da capa como do título do disco, "Nocturnes".

 

Esta inesperada gravidade não compromete, felizmente, o apelo pop de Victoria Hesketh, que segue aqui as sugestões dos ambientes mais nebulosos de outro single recente, "Superstitious Heart", editado em Janeiro. Junte-se a este aperitivo um trio de produtores de gabarito - Andy Butler (dos Hercules & Love Affair), James Ford (dos Simian Mobile Disco) e Tim Goldsworthy - e temos aqui um álbum que vai abrindo cada vez mais o apetite:

 

10 anos, 20 artistas e uma prenda

 

Chegou já no arranque da quadra natalícia, mas ao contrário de tantas compilações da época, que baralham e voltam a dar, a coletânea do Bodyspace tem 100% de material inédito.

 

Para celebrar os seus dez anos, a webzine oferece esta prenda através de um dos lançamentos mais recentes da Optimus Discos - disponível para download gratuito - e junta o resultado de colaborações entre vinte artistas coordenadas por Henrique Amaro. E assim ouvimos por aqui Tiago Sousa & Tó Trips, Stereoboy & Emmy Curl ou The Astroboy & Old Jerusalem, conjugações de um alinhamento que, ao contrário de muitas experiências do género, não tem propriamente tiros ao lado.

 

A ter de destacar algum personal favorite, seria a sequência de Osso Vaidoso & Ghuna X ("Dou-te uma mãozinha com a geometria/ em troca de alguma alegria", canta Ana Deus num ambiente mais eléctrico do que o habitual), RA & Jibóia (num óptimo instrumental industrial que Trent Reznor não desdenharia) e DJ Ride & Capicua (que nos convidam a mudar de vida numa colaboração com um embalo irresistível, a abrir o apetite para um reencontro).

 

Com a febre de listas de melhores do ano já devidamente instalada, um disco destes vale por umas quantas ao juntar parte do mais interessante - e mais diversificado - que se vai fazendo por cá. Além de ser, claro, uma alternativa bem-vinda às inevitáveis compilações da temporada.